domingo, 29 de janeiro de 2017

Quando a publicidade se apropria da onda conservadora

Em tempos de recrudescimento do conservadorismo, que pode ser exemplificado pelo golpe 2016 no Brasil e ascensão de Trump à presidência dos EUA, a publicidade como não poderia deixar de ser acaba absorvendo esse contexto. Isso já pode ser notado em algumas peças produzidas e atualmente veiculadas na grande mídia, e o exemplo disso fica na utilização de motes que denotam essa ideia, e o conceito de família expressa bem essa observação.




Podemos citar o laboratório farmacêutico Neoquímica, especializado na produção de genéricos que usa em suas campanhas publicitárias e institucionais a frase: “Neoquimica, o remédio da família brasileira”, tendo como garotos-propaganda personalidades públicas como o ex jogador Ronaldo e o ator Marcio Garcia. O próprio Ronaldo já havia protagonizado uma peça de vídeo para o Supermercado Extra para a Copa de 2014. Uma observação a ser feita sobre Ronaldo é que mesmo esteve envolvido em escândalo sexual em 2007, mas que apesar disso a sua imagem ainda é relacionada como um “bom sujeito e chefe de família”.




Temos o Banco Itaú que utiliza a imagem de uma vovó que usa a plataforma digital para se manter próxima da própria família.Aliás, em tempos de crise econômica em que se discute a Reforma da Previdência, os bancos aproveitam e reforçam o valor da família quando lançam campanhas sobre a importância da previdência privada.



De alguma forma, a valorização do conceito família pela publicidade se deve também a apropriação feita pelas igrejas neopentecostais que a cada dia arregimentam mais fiéis na nova classe média brasileira, e usam o valor para reforçar o dogma conservador.

A grande questão a ser discutida é se a exploração de valores tradicionais pela publicidade acaba por reforçar a imagem da família tradicional chefiada pelo “pai alfa”, que tem na mulher uma imagem reduzida de uma dedicada cuidadora do lar. E até que ponto, em que vivemos a consolidação da luta por igualdade de gênero, essa abordagem do valor familiar ainda é utilizada como referência no processo de uso da publicidade.






terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Como as novas tecnologias podem dar suporte para a comunicação sindical




Um vídeo publicado pela Agência Petroleira de Notícias (APN) durante um ato relâmpago promovido pelo SINDIPETRO-RJ, na Semana de Mobilizações da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), na sede de Exploração e Produção (E&P) da Petrobrás, Edifício Ventura, Centro do Rio de Janeiro, na última quinta-feira (12), viralizou e já alcança quase 400 mil visualizações.

Tal fenômeno de alguma forma consolida a necessidade de uso de novas plataformas digitais na profusão de conteúdos relacionados a atividades sindicais.  “As redes sociais promovem uma maior inclusão e estão dentro do contexto de utilizar melhor a velocidade com que a informação é difundida no mundo atual” – diz o diretor de Comunicação do SINDIPETRO-RJ, Carlos Augusto Espinheira.

Esses atos dos petroleiros cariocas realizados em prédios administrativos da Petrobrás também são conhecidos como “rolezinhos”. Eles têm como característica a não utilização dos tradicionais megafones e caixas de som, além de terem uma duração média de uma hora e trinta minutos, com falas objetivas e diretas aos petroleiros e petroleiros.

Mobilização virtual

O que é notado a principio é a aparente desmobilização e falta de interesses dos trabalhadores da Petrobrás durante a realização dos atos nas unidades administrativas, mas virtualmente ocorre ao contrário. No vídeo citado nesta matéria a fala do petroleiro Arthur Ferrari obteve mais de 11 mil curtidas, 13 mil compartilhamentos e 5.200 comentários.

Fabio Malini
"O que leva é a relevância de conteúdo para um segmento de público, que atua para dar amplitude a uma notícia e escolhe também novos canais de comunicação para isso. A franqueza é o principal valor que é reconhecido nesse vídeo do funcionário da Petrobrás. Dizer a verdade possui riscos, que, em muitos casos, não são assumidos pela grande imprensa.
Daí são esses novos meios digitais que fazem desbloquear o silêncio sobre um fato" – analisa Fabio Malini , coordenador do Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) na Universidade Federal do Espírito Santo.
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