segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O homoneoliberalis, o ‘você S/A’



Há tempos digo que nos dias atuais está sendo desenvolvido o “homoneoliberalis”. Um ser moldado a entender que o neoliberalismo não é somente uma doutrina econômica ou ideológica a ser seguida por estados, governos e empresas.
  O conceito se aprofunda na sociedade de uma forma difusa e cultural, se estendendo até às relações sociais. O “homoneoliberalis” é o sujeito empresarial, aquele que leva a sua vida utilizando pressupostos de uma empresa, ele é uma empresa. Nesse mundo empresa suas relações pessoais e interpessoais se pautam pela lógica de resultados, custos e eficácia. Assim é na vida escolar e profissional, vida sexual e afetiva, e assim por diante. É o mundo liquido tantas vezes descrito nas obras de sociólogo Zigmunt Bauman.

Tudo a ser feito em vida deve seguir como um “investimento” em um processo de desvalorização do eu, sobre o qual o indivíduo é inteiramente responsável.
Na vida profissional esse sujeito abre mão do seu tempo – lazer e família - em troca de um comprometimento com a empresa a qual vende sua mão de obra. Ao “vestir a camisa”, o “colaborador”, nome atualmente usado para denominar o trabalhador, se vê na condição de abrir mão do seu bem estar em detrimento da empresa. A sua carreira é a meta mais importante de sua vida. Se for descartado do processo ele se conforma e se questiona se poderia ter trabalhado e se comprometido mais para com a empresa, apesar de ter sido precarizado. Esse mesmo sujeito ainda pode desenvolver um sentimento de baixo estima, caindo em depressão. Logo, a partir de si próprio, se considera  um perdedor.

Ainda na vida profissional o “homoneoliberalis” abdica de sua condição critica no seu entorno de trabalho. Ele considera colegas de trabalho potenciais inimigos na dinâmica da concorrência interna que o faz competir na busca em viabilizar um melhor salário e destaque hierárquico, não questionando de forma nenhuma ordens, tarefas e políticas da empresa, desconsiderando totalmente qualquer tipo mobilização e agrupamento que remeta pratica sindical.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Os golpes atuais e os seus motivos capitais


A expansão da China e Brics fez o capitalismo ocidental tradicional reagir diante do avanço do capitalismo periférico do qual o Brasil faz parte com sua produção de commodities. O crescimento chinês se deu à custa da pirataria e exploração da mão de obra de seu povo. A pirataria fez com que o sistema produtivo ocidental transferisse suas indústrias a partir dos anos 1990 para a China. Gigantes da indústria automobilística, da tecnologia e de outros setores viram-se obrigados a instalar filiais no gigante asiático para também acessarem um mercado com mais de um bilhão de consumidores. Além disso, o sistema chinês adota um modelo que concede incentivos maiores para empresas que exportem 70% de sua produção. Quanto mais exporta menores são os impostos, que podem ter uma redução de até 50%, conforme a legislação local.

A situação de alguma forma fez com que o sistema produtivo ocidental transferisse muita tecnologia para a China, gerando assim desiquilíbrios em países europeus e nos EUA. Com preços competitivos e baixos os produtos chineses provocaram uma verdadeira restruturação no mercado global, com aumento no índice de desemprego nos chamados países e crises financeiras como a de 2008. Mas o tradicional capitalismo do ocidente entendeu que chegou a hora de acabar com a “brincadeira” chinesa.  De alguma forma, direta ou indireta, esse modelo potencializou o fortalecimento geopolítico da China, que se tornou um “player”, em concorrência quase que em pé de igualdade com os EUA, sendo hoje a segunda economia do mundo com um PIB de U$ 10 trilhões em 2015. Outro fato a ser entendido é que o Brics, como aliança, gerou potenciais concorrências em segmentos antes dominados por empresas tradicionais, como nos mercados de armas (Rússia), Commodities (Brasil), China (indústria de ponta e tecnologia) e Índia (aeroespacial).

Nesse contexto os gigantes elaboraram novas ações e retomadas. O modelo chinês torna-se uma referência para uma projeção de reconquistas e (re) adoção do receituário neoliberal no chamado quintal latino americano em países pujantes como Argentina, Brasil e México. Para isso é preciso remover os governos alinhados com a nova ordem econômica liderada pela China.
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