sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O almirante negro que foi calado

Meus caros, depois de anos de repúdio finalmente este país reconhece um dos seus heróis mais injustiçados. João Cândido Felisberto, brasileiro, negro e líder de uma rebelião que sacudiu a Marinha no ano de 1910. A Revolta da Chibata marca o levante contra a punição dada aos marujos da época, por erros e desvios de conduta. O castigo era ser chibatado por 25 vezes por algum oficial superior (branco) da armada.

Após assistirem a humilhação infligida ao marinheiro Marcelino, que mesmo desmaiado levou 250 chibatadas, os revoltosos liderados por João Cândido e Francisco Dias, entre outros se amotinaram nos navios Minas Gerais, São Paulo e Deodoro e manobraram apontando os seus canhões para o Rio de Janeiro.Foi feito um manifesto dirigido para o então Presidente da República, Hermes da Fonseca, no qual, além de exigir o fim dos castigos corporais,constava também o pedido de anistia.

Depois de quatro dias, os marujos entregaram as armas. Daí em diante só aconteceram perseguições políticas e humilhação para os revoltosos.Dos 18 líderes só dois sobreviveram a masmorra da ilha das Cobras. João Cândido era um dos sobreviventes, logo foi internado como louco, no hospital dos alienados, Pedro II, em Engenho de Dentro. Morreu aos 89 anos no ano de 1969. Para sobreviver trabalhou como um reles peixeiro na Praça XV.
Até o fim de sua vida foi tratado como um traidor da pátria e nunca conseguiu um espaço na mídia para contar sua versão para o motim que abalou a elite militar do Brasil. Salve João Cândido Felisberto!!!
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