segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A precarização do trabalho jornalístico e a adequação do ensino

Meus caros, muito tem me impressionado as dificuldades para profissionais jornalistas se colocarem no mercado, principalmente recém-formados como este que vos escreve. É óbvio e notório que vivemos um momento de reordenamento do mercado, motivado principalmente pelo avanço tecnológico e da adoção dos padrões neoliberais de gestão. Cheguei a conclusão que o trabalho do jornalista hoje sofre um processo de "precarização".
A remuneração base, que é de R$ 3.497,00 - reportagem de texto por 05 horas de trabalho, segundo tabela do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, está totalmente fora da realidade. A questão em si não é nem mais sobre a discussão do piso salarial, e sim da adequação aos novos tempos e a absorção dessa "mão-de-obra", qualificada que a cada ano chega ao mercado. A internet se apresenta como a tábua de salvação. A discussão passa também pela qualidade da formação do futuro profissional.
É por demais necessário mudar e implementar novas metodologias no ensino de graduação. Em artigo, o Professor de jornalismo , Hélio A. Shuch, da Universidade Federal de Santa Catarina, faz uma análise interessante sobre o atual momento.
"Preparar adequadamente para o mercado de trabalho significa formar um jornalista capaz de assumir, com competência, as diversas áreas que compõem a atividade jornalística, diferenciando-se de um ensino tradicional e dirigido apenas para trabalhos convencionais, confinados ao ambiente de uma redação. Este modelo de profissionalização está esgotado, já que pela dinamicidade e complexidade do negócio jornalístico, outras funções exigem profissionais adequados, com formação específica em jornalismo. Neste sentido, pode-se dizer que a formação até agora existente está na contramão da nova realidade do mercado de trabalho", ressalta Shuch.
Ele cita também, que existe um fosso entre a ênfase das ciências humanas e sociais com a formação técnica, em virtude da nova era que já chegou e se apresenta como absoluta. Eu sugiro aos meus colegas que acessem o artigo.
Creio que a busca do conhecimento sempre se faz necessária em uma profissão como a nossa, mas é importante termos a consciência de que a mudança não depende apenas de fatores individuais, passa principalmente por uma visão ampliada e conjunta sobre que perspectivas podemos construir.
Daí a importância de se debater novas possibilidades e quebrar velhos paradgmas. Infelizmente, observamos que muitos de nós não estavam preparados para a realidade do mercado. Hoje, um trabalho que tem como base a construção intelectual, a partir do encadeamento de fatos/notícia, sofre com a lógica da competitividade.
O trabalho não é relevado e cada vez mais se apresenta como uma função tão comum, quanto qualquer outra. As redações encolhem, os veículos distribuem mais funções para um único profissional e o desemprego aumenta...As cartas estão na mesa, vamos entrar no jogo?


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