quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Eu não sou irascível

Meus caros, às vezes, é difícil sentar e escrever sobre alguma coisa, mas estamos aí... Outro dia, tive um daqueles debates acalorados, que vocês sabem, gosto muito de participar.O assunto em questão, era sobre a influência que o capitalismo, mais especificamente o neoliberalismo, tem sobre o atual momento de degradação social percebida a todos, pela grande variedade de crimes hediondos e casos corrupção existentes neste adorável país tropical.
A minha modesta compreensão, o capitalismo é um sistema absoluto do qual foi criada uma irreversibilidade absoluta. O grau que o homem atingiu em função da conquista de um bem-estar social só é possível com esta maldita via, o capitalismo é um mal necessário. Mas acredito que existem formas e modelos mais humanos que incluem socialmente, aqueles que são parte de uma maioria marginalizada e estigmatizada desde os tempos dos antigos impérios.
A questão que me faz ser um pouco irascível, com os meus oponentes debatedores, aos quais peço desculpas, é que vivemos em um mundo onde as coisas e os bens materiais passam a ser primordiais para nossa inserção na sociedade como ser produtivo e ter reconhecimento nas comunidades – locais e globais. Ser é ter e possuir, não importa como e de que forma possamos atingir nossos objetivos.Tento exemplificar usando o casos ocorridos nas últimas semanas, como os assaltos tão corriqueiros na orla do Rio e as operações policiais que detiveram jovens de classe média, que vendiam drogas de todos os tipos em diversas festas da cidade.
Não considero casos isolados ou de desvio de caráter, acho sim, situações que são originadas de uma crise de valores que atinge a sociedade como um todo, desde a família como núcleo celular até a esfera do gestor público. O que eu abordo, é que o desvio de caráter fica mais evidente e mais passível de acontecer em um momento como este. No fundo, o ladrão de carteira, cordões e de carro tem em mente o mesmo objetivo daquele que vende droga, corrompe e é corrompido, assassino e espancador de prostitutas ou empregadas domésticas, daquele que seqüestra e outras coisas mais.
Porque tudo é relacionado ao poder – usando Focault. Ter coisas e dinheiro é poder, ter o que os outros não têm, é poder. No mundo de hoje o que importa é acumular, não que isso seja pecado, se você trabalha honestamente é óbvio, que não é demérito ganhar dinheiro, mas quando vivemos sob a égide da vitória a qualquer custo sem se importar o que isso pode causar ao próximo, como ficamos? Para vencermos na vida precisamos usar a metáfora do futebol: precisamos ganhar nem que seja com um gol de mão em impedimento e no último minuto.
O atual comentarista e ex-jogador, Gerson, uma vez, fez um comercial de uma marca de cigarros para televisão na década de 1970, em que dizia a seguinte frase: “Você gosta de levar vantagem em tudo, certo? Eu também , por isso fumo Vila Rica, só falta você...” E hoje, todos querem levar vantagem em tudo, inclusive nossos políticos, descamisados, presidiários, dirigentes de futebol -vide Corinthians/MSI, escolas de samba, bicheiros, empresários, traficantes, policiais, funcionários públicos e até os índios...
Num mundo globalizado o que importa é ganhar e sempre, a lógica neoliberal é essa, não adianta regular o estado, ele não deve existir. Quando este não existe, também deixam de existir o respeito às leis, aos valores éticos e morais e por fim o esfacelamento da família. Em um ambiente desses, você acredita que pode ficar imune e fora dessa realidade? A cada dia recebemos o bombardeio midiático: compre, tenha e seja...

P.S Um abraço para meu amigo tricolor Daniel Rinaldi.
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