quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O consumo e o falso mundo

Meus caros, no último dia 18/01, durante a realização da Semana de Moda de São Paulo – me recuso falar São Paulo Fashion Week -, ocorreu a leitura de um manifesto elaborado pela estilista inglesa, Vivienne Westwood, considerada uma das pioneiras da moda punk. No documento intitulado Resistência Ativa à Propaganda, Ms. Westwood faz uma declaração contra as injustiças sociais e a estupidez humana, culpando o consumo desenfreado e a massificação da cultura. Segundo Vivienne, os três pilares: Idolatria Nacionalista, Distração Sem Controle e Sem Parar Nunca e Mentiras Organizadas formam os alicerces da Propaganda. “É exatamente contra isso que devemos resistir ativamente. Você pode ler todos os jornais do mundo em um dia e ainda assim não entender o mundo. Sabe por quê? Porque é preciso pensar com profundidade para entender o mundo que vivemos”, conforme transcrito pela matéria da jornalista Flávia Guerra no blog SPFW 2008, editado pelo Estadão.com.br. A estilista disse que atualmente o mundo é uma sopa global insossa coberta por creme e molho de cebola e afirmou ainda, ser necessário às pessoas lerem mais para obterem mais conhecimento e assim combater o que muitos chamam a ditadura do comum. Mas afinal será que Madame Westwood tem razão, estamos nos tornando somente consumidores, perdendo a capacidade criativa e o senso de crítica? Ao contrário, nos anos 1980 o filósofo francês Gilles Lipovestki, publicou um livro intitulado, O império do Efêmero: a Moda e o Seu Destino nas Sociedades Modernas, no qual faz uma análise e conceitua a moda a partir de uma relação de consumo e criação, contanto a história da moda e desde a Alta Costura (elite) até o Prêt-a-porter (indústria cultural). Segundo Lipovestky, em entrevista a jornalista Diana Galvão da Moda Brasil, no futuro breve, o sujeito terá novas experiências, viajará com facilidade para diversos lugares, inclusive longínquos, conhecendo assim novos produtos e culturas, além de possuir fácil acesso aos diversos tipos de informação. O ato de consumir precisará estar ligado ao prazer, distante de qualquer possível sentimento de culpa, o produto Moda precisará ser o que proclama, sem pretensas enganações ou deduções. Portanto, um sofisticado jogo de luz; imagens estimulantes, exibindo o próprio consumidor e a tridimensionalidade do corpo humano (vídeo); a diversificação de produtos em um mesmo ambiente (loja), com arquitetura ampla e inovadora; cheiros e imagens estratégicas e formas automatizadas e elaboradas de pagamento irão proporcionar ao ato da compra um novo sentido. O ato de consumir será também uma experiência excitante, será uma diversão, ganhará novos significados.
Para encerrar, um detalhe ocorrido no dia da leitura do manifesto Resistência Ativa à Propaganda, quando indagada se conhecia alguma da moda brasileira Vivienne Westwood mandou na lata, “Não sei nada sobre a moda brasileira. Tenho muito a aprender” – disse paradoxalmente ao que escreveu.
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