quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Jornalismo investigativo preguiçoso

Meus caros, a cobertura da mídia de alguns casos policiais ocorridos neste período de fim/início de ano me deixou um tanto preocupado. O que me deixa intrigado é forma como a imprensa processa as informações e não tem a preocupação de repercuti-las.
O primeiro ponto a ser abordado, foi o fato ocorrido com o jogador Adriano, recentemente contratado pelo São Paulo Futebol Clube junto a equipe da Internazionale de Milão. Na madrugada do dia 31 de dezembro o ‘imperador’, como é conhecido, se envolveu em um acidente automobilístico quando pilotava um possante Audi na Barra da Tijuca. O craque são-paulino após bater em três carros, se retirou imediatamente do local pegando um táxi sem esperar a chegada do socorro e das autoridades policiais.
A ‘lambança’ do imperador mereceu algumas notas e ficou por isso mesmo, sem qualquer tipo repercussão. Até agora ninguém informa se ocorreu registro policial do acidente, ninguém soube dizer se o jogador estava dirigindo alcoolizado, ou de pelo menos, da sua convocação para prestar depoimento. O segundo assunto que merece atenção é o episódio envolvendo a morte de um cidadão no reveillon da praia de Ipanema.
De início foi aventada a possibilidade de Elias Gabriel Batista, 29 anos, ter sido atingido por uma bala perdida, mas logo a polícia divulgou que o rapaz pode ter se envolvido em alguma briga por possuir antecedentes criminais. Imediatamente a imprensa ‘engole’ a versão e não se fala mais nada.
O último caso fica por conta da execução sumária praticada por um promotor na cidade de São Paulo contra um possível suspeito de assaltos que parou a moto em um ‘semáforo’ da capital paulistana. Pedro Baracat Guimarães informou que efetuou os disparas após ser abordado e ‘convidado’ pelo motoqueiro Firmino Barbosa, 30 anos, a passar o relógio e o telefone móvel que portava.
No dia seguinte, os responsáveis da investigação informaram que o possível assaltante já havia praticado vários crimes no local, mas que não possuía nenhuma ficha criminal. O que eu percebo, é que lá se foi o tempo, em que os veículos e jornalistas tinham a preocupação de ir fundo nos fatos e investigar realmente a verdade. Será que a violência impinge medo ao jornalismo investigativo, afinal a verdade oficial é a que vale?
É normal, e se justifica morrer quando se tem antecedente criminal, é corriqueiro jogador de futebol se evadir de acidente de trânsito e pegar um táxi sem dar satisfação para a polícia e como explicar uma execução de dez tiros contra um possível suspeito, quando praticada por uma autoridade do ministério público armada com uma pistola de uso privativo do exercito?
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