quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ético. Basta parecer.


"Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade". A célebre frase atribuída ao ministro da propaganda nazista de Hilter, Paul Joseph Goebbels, talvez seja uma das observações mais empíricas em relação à humanidade. Aos olhos alheios, na era do homo midiaticus, não é preciso ser, basta parecer.

Diante da calhordice da raça humana, pessoalmente, eu me reservo o saudável direito de desconfiar de alguns guardiões da ética e da moral de plantão. Nunca entendi, por exemplo, o respeito que alguns têm pelo pseudo-jornalismo sério de Jorge Kajuru, para mim, um desses anacronismos jornalísticos fecundados pelos anos de repressão militar.

Sempre se portando como o último paladino da ética, o discurso de Kajuru nunca me convenceu. Não sei se pode ser levado a sério um dito "profissional" que costuma usar redes de televisão para falar abobrinhas no ar, atacando quem quer que seja, embasado, muitas vezes, em achismos com os dois pés numa arrogância sem tamanho.
Arrogância disfarçada de opinião.

É ético um profissional que acusa e, na maioria das vezes, não prova (curiosamente, expediente comum na Revista Veja, a qual diz ter ojeriza)? Como no
caso Luciana Gimenez, em que criticou o nível intelectual da apresentadora e disse que ela é uma má colega de trabalho, num programa de rede nacional. A "verdade" de Kajuru custou-lhe um processo movido pela mãe de Lucas Jagger. Foi condenado a pagar uma indenização de R$ 40 mil por danos morais. Presume-se, evidentemente, que Kajuru seja o esperto e La Gimenez, a burra da história...

É claro que o caso Gimenez não foi o único processo movido contra o ex-gordo e muito feliz (foram 108, na sua contagem particular). Kajuru, que diz não ligar para dinheiro, a despeito de ter sido um dos maiores salários da Bandeirantes, esteve afundando em dívidas contraídas com os numerosos processos judiciais que costuma se envolver, por ser "corajoso", por "não ter medo de falar a verdade". "Verdade" que ele usar para
vender livros a R$1 (é esse o preço mesmo). Claro que ele não lucra com o livro, mas com a polêmica. Ainda que boba.

Mas qual a "verdade" de Kajuru? Afogado em dívidas, o apresentador mais feliz do mundo
participou do programa "Nada Além da Verdade", comandado por Silvio Santos, e ganhou a bolada de R$100 mil (no jogo de mentiras e verdades, foi avaliado como 100% sincero), que serviu para pagar suas pendências financeiras e recuperar a casa que pertenceu a sua falecida mãe, para transformá-la num lar de idosos.

Até aí, tudo bem. Tudo muito bonito. Mas o dinheiro que Kajuru recebeu, parte dele pelo menos, vem de
exploração de trabalhadores do Baú da Felicidade; da prática de má fé pelos vendedores do Baú; e de negócios nebulosos da Liderança Capitalização (que só continua atuando por causa dos bastidores do poder - essa coisa que Kajuru diz sentir nojo).

Dinheiro sujo que Kajuru aceitou de bom grado. A ética tão ruminada pelo apresentador diariamente, quase como um mantra pessoal, parece ser uma questão de interesse. Ele, como o guardião da ética, decide o que é e quem é merecedor dos valores morais que diz defender. Mas se esquece que a tal ética não combina com as atividades do seu novo patrão - o qual defende com unhas e dentes.
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