segunda-feira, 12 de maio de 2008

Mundo ordinário

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni

Meus caros, ao escrever este texto abordo pela última vez o caso Isabella Nardoni, que no meu entender virou novela, mas vou fazê-lo de uma forma ampla abrangendo vários aspectos sensacionalistas utilizados pela mídia. É impressionante, como num efeito cascata, a mídia acaba produzindo um jornalismo apelativo e pestilento. A última novidade foi a entrevista concedida no último domingo (11/05) pela mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira ao programa “Fantástico” da Rede Globo. Não considero aquilo como jornalismo. É na verdade um ato de espetacularização da notícia por motivos meramente comerciais.

Isso evidência a dubiedade da Imprensa no cumprimento do seu papel social. A responsabilidade da informação se perde quando a mesma se torna um produto barato de prateleira. Isso me remete ao artigo “Modernidade, Hiperestímulo e o Início do Sensacionalismo Popular” de autoria de Ben Singer, que serve de referência ao emitirmos qualquer tipo de análise sobre o sensacionalismo. Singer cita o início do Século XX para descrever o surgimento de uma tendência jornalística que explorava o grotesco. Naquela época, a imagem tinha papel primordial na construção da notícia de impacto. Eram os atropelamentos de bonde, os assassinatos em série e tantos outros crimes hediondos que impressionavam a massa. Isso fez emergir a notícia como entretenimento. O cinema e a fotografia foram os suportes perfeitos para consolidação deste processo. Hoje, com novos suportes tecnológicos, o sensacionalismo ganha novamente as primeiras páginas e manchetes, ele não é mais restrito aos veículos populares. O choro da mãe ganha importância quando a lente se aproxima e mostra a face num momento de dor e perda. Não é mais a foto com o corpo dilacerado que impressiona, e sim, a angústia via satélite.

Para comprovar minha observação basta notar o espaço dado nos chamados veículos formadores de opinião como O Globo, Folha de São Paulo, Revista Veja entre outros. Assim como o caso Isabella, podemos citar outros tantos episódios que se tornaram folhetinescos na mídia. O Maníaco do Parque, O Bandido da Luz Vermelha, Mão Branca, o caso Suzane Richthofen, A Fera da Penha, o caso Doca Street, o desaparecimento de Carlinhos, e por fim, o sumiço da menina inglesa Madeleine McCann.

A minha modesta opinião parece que os veículos de comunicação querem de alguma forma se apresentar como inquisidores de uma ordem falha e omissa. É a necessidade da punição que vai refazer a sociedade na recuperação do bem-estar social. O discurso do terror ganha as manchetes e condena a ‘guilhotina’, àqueles que ultrapassaram os limites da racionalidade.

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