domingo, 25 de maio de 2008

" Quando a esmola é demais, o ceguinho desconfia "


Meus caros, a inclusão digital é um tema que particularmente me chama bastante atenção. Em um país de grandes desigualdades sociais como o Brasi,l é necessário criar condições de acessibilidade para aqueles que vivem a margem do sistema produtivo. Eu inclusive tenho uma teoria: o capitalismo há muito deixou de ser excludente; basta observar os indicadores econômicos para constatar isso.

As empresas de tecnologia também já perceberam isso. Na verdade vou abordar uma iniciativa que acho interessante, mas ao mesmo tempo fico um pouco desconfiado. Existe um projeto chamado “Um laptop por criança” (OLPC, sigla em inglês) ligada ao MIT – Massachussets Institute of Tecnology, que tem por objetivo disponibilizar computadores portáteis por apenas U$ 100 para países em desenvolvimento. O XO como foi batizado é capitaneado por Nicholas Negroponte, que no ano de 2006 veio aqui vender o “peixe”. Vale lembrar, que o Brasil foi o primeiro país a abraçar a causa. O governo brasileiro criou uma comissão interministerial composta por especialistas do ministério da Educação (MEC) da Ciência e Tecnologia (MCT) que derivou no projeto UCA – Um Computador por Aluno.

De início, o OLPC pretendia vender ao Brasil 1 milhão de unidades. Depois de dois anos o projeto não decolou. Ocorreram problemas no desenvolvimento de parcerias com a Intel e principalmente no baixo número de encomendas, que chegaram somente a 600 mil. Isso fez com que o preço chegasse a U$ 188. O XO utiliza o sistema operacional Linux que é um sistema de código aberto e não agrega qualquer tipo custo para seu uso, ao contrário do Windows, que é licenciado e fez a fortuna da Microsoft e de seu dono Bill Gates, este por sua vez, nunca viu o projeto com bons olhos. Mas de uma maneira surpreendente, a Microsoft resolveu apoiar o projeto. Nicholas Negroponte anunciou no último dia 15/05 uma parceria com a Fundação Bill Gates que vai oferecer o Windows como segunda opção de sistema operacional. Segundo a OLPC, o acordo vai despertar o interesse de mais governos pelo projeto.

A alegação é que alguns países não confiavam no sistema “Sugar” baseado no Linux. Com isso, o custo do XO vai aumentar em U$ 20, a Microsoft vai receber somente U$ 3 por máquina vendida. Futuramente o portátil vai utilizar a tecnologia “dual boot” que possibilita a operação com dois sistemas operacionais. Parece que Gates resolveu entrar no jogo e faturar alguns trocados. Pelo jeito, vai demorar muito para ruir o monopólio da Microsoft. A princípio, a iniciativa é vista com bons olhos, como diz o pessoal da roça: “cavalo dado não se olha os dentes”, mas como diriam os antigos: quando a esmola é demais, o ceguinho desconfia...

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