sábado, 20 de dezembro de 2008

Caroline Pivetta da Mota, o bode da vez

Carol e amigos no momento da intervenção em plena bienal


Meus caros, a reboque de um comentário feito pelo meu amigo Antônio Duarte, vou fazer uma divagada sobre o caso da jovem Caroline Pivetta da Mota, que puxou uma cana de quase 50 dias por ter pichado uma parede em branco na 28 º bienal de São Paulo, no último mês de outubro. Duarte fez uma observação que achei muito interessante, ao lançar um olhar reflexivo sobre cagada da menina e a leitura posterior feita pela mídia. “O imbróglio da garota da bienal Pode ser visto como um ato político. Se considerarmos o fazer arte, ou protestar, ou gritar/reclamar é político” – disse.

A abordagem feita pelo noticiário nos remete para um olhar reducionista e simplório de um ato de vandalismo sem qualquer tipo de significado ou razão. Daí, muitos que criticam a qualidade do trabalho jornalístico e a capacidade intelectual dos profissionais da informação, vêem seus argumentados respaldados, Duarte é um desses críticos.

Sei que é difícil para alguns sintetizar informação e análise. Aí me lembro daquele argumento dado pelo William Bonner ao explicar para uma turma de universitários, a linha editorial do Jornal Nacional. “Nosso público não tem um poder síntese e raciocínio para análises, fazemos um jornal para o Hommer Simpson, o cara que se prosta em frente a uma TV e fica passivo assistindo as notícias”.

Essa lógica produtiva acaba por limitar o desenvolvimento de um conteúdo mais elaborado e analítico. Hoje vivemos transformações em várias áreas de conhecimento, a comunicação é o maior exemplo disso. O problema é que a grande mídia parece em não se interessar por esse processo. As mudanças se operam de forma exuberante, a internet esta aí para comprovar. O mundo fervilha, pessoas querem se mostrar, se apresentar, criar, falar, escrever...

Enfim, Caroline mostrou isso. Ocupou um espaço público e manifestou seu Criar e Fazer ao intervir numa parede/folha em branco. Meu professor Noé Vaz também já levantou essa questão ao falar dessa apropriação simbólica do espaço público. “Seriam as paredes e os muros, a limitação simbólica do espaço apropriado por essa linguagem? Poderíamos dizer que existe uma estrutura ausente na formalização das expressões (in) formais dessa linguagem? Poderíamos, enfim, dizer que existe um parâmetro comparativo entre a mídia/livro com suas estruturas em capítulos, papel, formatos, etc. e essa nova linguagem?” – questionou o mestre em aula.

Para encerrar, acho que realmente foi um exagero a detenção de Caroline por tanto tempo. O discurso de que alguém precisa pagar por isso, me lembra aquela velha máxima do Bode Expiatório. É preciso sempre arrumar um, coisas do Brasil.

Ah, já ia me esquecendo. Para quem curte Graffiti, esse é um site que apresenta uma série de intervenções de todos os cantos do mundo. É o Art Crimes, é só clicar na foto e conhecer.

Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...