segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A comunicação é o cimento social

Sociólogo da Comunicação

Meus caros, a pós-modernidade é um tema que marca essa nova realidade que vivemos atualmente, que é a chamada Sociedade da Informação. O texto “Interfaces: Michel Maffesoli, teórico da Comunicação, de autoria do Prof. Dr. Juremir Machado da Silva apresenta uma leitura um tanto entusiasta sobre a obra do sociólogo francês. Isso talvez ocorra, pelo fato de Juremir ter sido orientado por Maffesoli, em seu Doutorado na Sorbonne. Mas isso, de forma nenhuma, diminui a relevância da análise para a Revista Famecos. O texto discorre bem sobre essa atmosfera que vivemos atualmente na era da pós-modernidade. A diferenciação entre comunicação e informação, elucida e permeia o caminho, que nos leva tentar a entender essa nova dinâmica.


O Prof. foi muito feliz ao afirmar, que não se pode reduzir a questão da comunicação, a esfera da mídia, e, sua hegemonia no processo de construção do imaginário contemporâneo. A partir de Maffesoli, Juremir entende que a comunicação vai além de um exercício de troca de signos. Nesse contexto, ele considera que a informação atua apenas como um fator operativo/funcional, um dado fornecido à um receptor.


A fragmentação é a principal característica da nossa época/pós-modernidade. A leitura global se faz necessária para nos situarmos nesse mundo de relações e contatos múltiplos. Na diversidade, as diferenças se complementam. São os antagonismos se entrelaçando dentro de um universo de caos. As redes são construídas através de pontos que se permeiam em laços sociais, interfaceadas pela prática da interação comunicativa.


A queda e derrocada das ideologias, foram primordiais para o surgimento dessa nova vida social. Sem os imperativos morais, as promessas do paraíso escorreram com o desmoronamento das utopias politicas. Com leitura de Juremir, a partir da ótica de Maffesoli, a comunicação se transforma no “cimento social”. A complexidade derruba a lógica do certo e errado, do bom e mal.


Dentro desse bombardeio tecnológico da sociedade pós-moderna, o ato de comunicar agrega e aproxima pessoas no sentido de construção de uma comunidade participativa, hospedada em um espaço virtual, que não se configura como tangível e presente fisicamente. A citação do tribalismo e do comportamento dos jovens corrobora essa observação.


Como em uma explosão de átomos, a comunicação capilariza os indivíduos e comunidades, se transformando em um estruturador social. Essa fragmentação se contrapõe ao modelo funcionalista e da logicidade fordista, tão apregoada no século passado. Hoje, o ato de comunicar é, sobretudo, a potencialização do caos. A orgia comunicacional se dá com a explosão do prazer em comunicar-se com o próximo.


A sociabilidade torna-se motriz dessa nova realidade. Enfim, a comunicação para Maffesoli não é mais um questão de mediação, mas de fim. Não existem os esquemas de análise que se atentam para as figuras dos receptor e emissor, especificamente. Não pode ser vista, apenas no viés da lógica produtivista.


Ao citar Adorno e Horkkheimer, quando estes criticam o prazer no contexto da sociedade de massa e da indústria cultural, o Prof. Dr. Juremir Machado, cita o contraponto desta afirmativa, ao lembrar que Michel Maffessoli considera prazer como uma forma resistência ao status quo do sistema, e não uma forma de resignação para esquecer as mazelas sociais, como afirmaram o teóricos de Frankfurt.


O texto em questão, faz uma desassociação da ação de consumir-se e de consumir. Partindo de Maffesoli, Juremir define o consumir-se como um ato de fragmentação expansiva do individuo em se comunicar com o outro. Já o ato de consumir se configura como uma lógica produtivista, associado ao exercício da atitude individualista e isolacionista no sentido mercantil, que é o ato de comprar.

Essa parte do texto, me fez remeter a Nestor Canclini, em – Cultura e Comunicação, que considera o consumo como um fator de dimensão do processo comunicacional, em dissonância, a opinião do Prof. Dr. da PUCRS, autor do parecer sobre Michel Maffesoli. Ao se referir a obra do teórico francês, Juremir Machado faz uma critica sobre a abordagem da sociologia crítica, que segundo ele, estabelece um padrão moral e tenta estabelecer um “dever-ser”, ao contrário da nova 'sociologia da orgia', que é descritiva, etnográfica, irônica como, uma reportagem que atende, a esse novo “cimento social” que é a comunicação.


Prosseguindo com a análise de Juremir, o autor cita o livro: Le mystère de la conjonction ( O Mistério da Conjunção), como referência de sua hipótese central, em que o paradigma estético é o elemento que pode permitir agregar uma rede de ações nos tempos modernos. A pós-modernidade representa a quebra desse paradigma. As interfaces, conexões e cruzamentos remetem a comunicação.


Na verdade, a comunicação ao olhar de Maffesoli,e reverberado por Juremir Machado, compreende as relações humanas como formas de complementação de suas singularidades e diferenças. A diversidade cultural emerge dos antagonismos coletivos e individuais. A globalização representa a quebra desse paradigma e a consolidação da pós-modernidade. O comunicar ultrapassa a logicidade do produtivismo. Não é mais linear como uma linha de produção, que impunha regras e ditames.


Hoje, a dinâmica da comunicação não se dá somente pela mídia e canais dominantes. O imaginário popular ocupa seu espaço e conquista o lugar, sem uma organicidade seqüencial. As novas tecnologias absorvem esses sentimentos de encontro e contato. O cotidiano e os rituais sociais se constroem, a partir de uma realidade fragmentada e diversa:a comunicação.










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