sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Sobre a Velhice


Outro dia dei um pulo no blog de um colega meu, que aborda assuntos como comunicação, mídia, política, cultura de massa e até mesmo psicanálise, filosofia e literatura. Na postagem do dia 09 de Dezembro, intitulada “A artrite mental de nosso tempo”, onde comenta sobre a velhice e como ela é vista pelas pessoas, principalmente pelos jovens e pela jornalista Marília Gabriela (pra entenderem do que falo, leiam o artigo em http://im-postura.blogspot.com).

A questão da velhice como algo que não um estágio final, o fim do tempo de consumo de um produto ou mesmo de um ser, como meu amigo apontou, não consegue passar pela minha cabeça. Tenho certeza de que muitos a vêem com o mesmo olhar sorumbático que eu. Um professor uma vez dizia sobre sua juventude, afirmando que era imortal quando era jovem, deixando cada vez mais de sê-lo com a idade. Acho que é assim que encaro a velhice: o limiar da mortalidade do homem.

É óbvio pra mim que muita sabedoria só é alcançada na velhice. Mas também é nela que a caducidade, a falta de saúde, de cabelos e a gravidade mostram seu lado mais dramático e impiedoso. “O tempo destrói tudo”, dizia o filme “Irreversível”. Quando começamos a achar que entendemos a vida e o que nos circunda, impávido como um leão ele vem e te arrasa. Como uma boa piada que se ouve e não se tem tempo de aproveitar com o riso adequado.

Se por um lado essa maneira de pensar, do meu pensar, pode nos forçar a viver intensamente, cada momento como se fosse o último, cada mínimo instante, tal qual lemos em cartões baratos ou naqueles emails insuportáveis acompanhados de um ignóbil arquivo de PowerPoint. Em compensação, também permite uma leitura um bocado niilista: não importa o que se faça, você está fadado ao nada. Tudo o que te restarão são memórias, somente memórias. Talvez morrer antes de se alcança a velhice seja a sorte mais caridosa que um homem pode ter em seu futuro.

Seria o velho o simulacro do homem? ”Velho, meu querido velho/ Agora já caminha lento”, cantava Altemar Dutra. Talvez eles sejam realmente merecedores da consideração de todos nós. Ainda mais se partirmos do princípio que, se nada mais der certo, ficaremos todos velhos...
Nota: Retrato que ilustra o texto chama-se "Velhice" da fotógrafa Ursula Zwardon, participante do concurso "Fotógrafo do Ano" da BBC Brasil.
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