segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Casas Bahia, Ponto-Frio e Ricardo Eletro: Vida para Consumo

Meus caros, há três dias finalizei a leitura do mais recente trabalho do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, considerado por muitos o maior analista da sociedade de consumo no pós-modernismo. Vida para consumo, é uma obra que pinça um retrato bem interessante deste novo século que vivemos, no qual consumir significa estar condicionado socialmente, em um mundo de desejos e efemeridades.

O liquido se consagra como um comportamento habitual que se dilui, a partir dos desejos alcançados. Desejos esses, que se personificam através de um ato de aquisição obedecendo a regras do mercado, ou seja, oferta e procura, venda e compra.Para Bauman, o homem dessa sociedade de consumo se transformou também em mercadoria, quando ele próprio se vê diante de um mundo de competição acirrada, tão impregnado pela cultura neoliberal dos dias de hoje.


Fia Fernandes, 34 anos, veio disposta a passar mais de 24 horas à espera da liquidação (Foto: Daniel Haidar/G1)


Como não poderia deixar de ser , nesses tempos de promoções e liquidações relacionei este último trabalho de Bauman, ao comportamento dos consumidores que adentraram diversos estabelecimentos comerciais, atrás dos tão sonhados objetos de desejo.Quando uma pessoa dorme durante três dias na porta de uma loja, para comprar um eletrodoméstico, e a imprensa mostra isso como uma coisa normal, fico realmente preocupado. Concordo plenamente com o sociólogo,quando ele afirma que vivemos em uma sociedade norteada apenas pelo consumo.

Obviamente, que vivemos um processo de consolidação do neoliberalismo. Nesse ponto, a globalização foi um instrumento eficaz para a construção dessa nova sociedade, em que ter e comprar é a representação fidedigna do viver. Ser um ator social é ter apenas a capacidade de compra. A identidade é construída pelo que se pode e não pode ter, mesmo que isso gere uma divida.

Outro fato atual que posso relacionar a obra de Bauman, é um Reality Show exibido nas últimas edições do programa Fantástico, com uma família carioca. Na série, o pai entrega o gerenciamento das contas de casa para a filha adolescente, por sugestão da produção do programa. O chefe da casa possui uma oficina da qual consegue ter um labore de 2 mil reais, mas não consegue fechar as contas da família. A principio é convocado um consultor financeiro para mapear essas despesas e sugerir alguns cortes. Até aí tudo bem, uma matéria bem educativa e didática, uma reportagem bem interessante.


A observação fica por conta dos gastos da família: cartão de crédito com uma fatura de 800 reais e uma prestação do financiamento do automóvel no valor de 600 reais, um padrão bem comum da sociedade de consumo. Mas notei que o consultor em nenhum momento fez menção em tentar realizar um acordo com a financeira do carro, para renegociar um valor compatível com os rendimentos da casa. Infelizmente, a lição passada foi de que vale a pena passar certas situações desagradáveis e abrir mão até de certas necessidades básicas, mas não se pode abrir mão do carro. Se foi meu desejo e comprei, não posso abrir mão. O que meus amigos e vizinhos vão pensar?

Enfim, voltando a Vida de consumo, a obra é uma análise bem eloquente desse novo século que vivemos, no qual gastar é uma questão de inserção e em termos práticos se tornou um ato exercício social. Agora, quanto o caso da família do Fantástico, é uma questão de cidadania continuar pagando o carro. Sem ele, a sociedade não irá relevá-los como cidadãos de primeira.

Bom, para encerrar sugiro à moçada que acompanha este blog, a leitura de algumas coisas da obra do sociólogo da moda, Zygmunt Bauman.



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