quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Cesare Battisti - Itália tem telhado de vidro

Battisti veio para o Brasil após exílio na França


Meus caros, a mídia brasileira de vez em quando encampa algumas bandeiras totalmente fora de propósito. Senão vejamos, o caso envolvendo o escritor e ex-guerrilheiro italiano, Cesare Battisti, acusado e condenado à revelia, por atos de terrorismo em seu país de origem, durante os anos 1970.

Alguns articulistas de peso como Augusto Nunes do Jornal do Brasil, criticam ferozmente o ato de concessão de asilo político, assinado pelo Ministro da Justiça Tarso Genro.



“Condenado à prisão perpétua na Itália pela participação no assassinato de Sabbadin – um açougueiro italiano - e de mais três contra-revolucionários", Battisti livrou-se da extradição graças ao ministro da Justiça, que o promoveu a "refugiado político" e pôs na conta das motivações ideológicas o prontuário de um ladrão vocacional diplomado em latrocínio na escolinha do PAC – Proletários Armados do Comunismo. Segundo a discurseira recorrente do próprio Tarso, do presidente Lula e de toda a companheirada, devem ser anistiados, aplaudidos e indenizados os que lutam de armas na mão contra a ditadura e pela ressurreição da liberdade” - Afirmou Nunes, em artigo publicado na última quarta-feira (28/01).

Acho interessante, que essa celeuma acaba por revelar um posicionamento também ideológico, daqueles que criticam a posição do governo Lula em relação ao caso. É percebível, uma certa ridicularização da imprensa brasileira em relação ao estado brasileiro. Posso citar, além do próprio Augusto Nunes, Boris Casoy e a Revista Veja.

Todos sabem que o presidente da Itália, Sílvio Berlusconi, não é flor que se cheire. O empresário também proprietário da Milan AC, tem o nome mais sujo do que pau de galinheiro, e nem por isso larga o osso e leva pau da mídia.


Não vou aqui discutir, o fato do Battisti ser um militante político ou bandido – a meu ver, as duas classificações se enquadram. Só quero lembrar, que a Itália recebeu de braços abertos um filho seu, chamado Salvatore Cacciola. Este “respeitável” cidadão italiano foi responsável por um dos maiores escândalos financeiros no segundo período do tucanato de FHC, que foi a quebra do Banco Marka.


Cacciola agora come lagosta e joga um carteado com o simpático Jerominho

Sr. Cacciola foi condenado aqui no Brasil e sorrateiramente, pousou em Roma para fugir da justiça . La Republica de Itália se recusou a extraditar o banqueiro pilantra. Para quem tem memória, faço a seguinte pergunta: Alguém viu ou leu, alguma manifestação da mídia em relação ao caso, criticando o governo italiano?


Para encerrar, lembro que Salvatore Cacciola, atualmente preso em Bangu VIII, só caiu nas garras da leis por ter dado sopa ao passar uma férias no principado de Mônaco. Mas é assim mesmo, como em qualquer lugar no mundo, o jornalismo infelizmente é uma prática que conjuga informação e interesses. E não vai ser diferente aqui na Terra Brasilis.
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