sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Funk como Cultura e Manifestação Cultural


Como diz meu amigo Lobão, meus caros,

O RadioTube, uma rede social desenvolvida pela Ong Criar Brasil, está com uma discussão quentíssima. Na comunidade Indústria Cultural as pessoas estão debatendo o projeto que o deputado Chico Alencar (PSOL – RJ) lançou na Câmara, que busca definir o funk como expressão da cultura popular brasileira e regulamentar e democratizar do movimento. Mas deixando de lado esse pequeno “jabá”, gostaria de compartilhar com vocês, leitores, a minha opinião sobre isso.

Honestamente não sou um grande entusiasta do funk carioca. Não vou negar que depois de algumas doses ou mesmo quando diante da possibilidade de um fugaz “romance de ocasião” com uma moça já balancei o esqueleto ao som de algumas canções, mas em “condições normais de temperamento” eu prefiro me manter distante. Acho feio, acho sujo e grosseiro. Ok, os Raimundos também o eram, mas o “batidão” não me causa a mesma comoção do hardcore. Mas, vou ser sincero, acho até interessante o projeto do deputado.

Quer dizer, existe uma série de questões extremamente sombrias envolvendo o funk, como a participação do tráfico ou os relatos chocantes sobre o que acontece dentro dos bailes envolvendo drogas e sexo. Mas se é por isso, porque não fechar também certas boates de “gente bonita” da Zona Sul? A verdade é que nem todo funkeiro fala de sexo de maneira tão brutal ou faz “apologia ao tráfico”, existe também uma possibilidade de diversão mais amena pra juventude. Muitas músicas possuem uma malícia semelhante à de certos compositores de forró, vide a “sensação de 2006”, o funk da injeção. Fora que é um mercado já estabelecido, que gera renda para muitos. Tudo bem que os entorpecentes também o são, nem tudo que dá dinheiro é válido (ao menos não deveria ser), mas não penso que o funk carioca seja tão nocivo. Embora ser acordado de madrugada pelo som do MC Catra seja algo tão prazeroso quanto levar um pontapé nas gônadas.

Outra questão que causa desconforto é a maneira como as mulheres e o sexo são retratadas. Certas letras de funk são profundamente diretas e agressivas, mas isso não me parece ser mais do que o retrato da sexualidade dos pobres. Nelson Rodrigues dizia que a miséria é pornográfica, e deve ser mesmo, vide a naturalidade com que abordam certas questões sexuais. Mas se não houvesse um reconhecimento da classe média em toda aquela barbárie sexual, acreditem, ele jamais teria chegado ao asfalto com tamanho “ibope”. Ora, um funkeiro, cujo nome não me recordo, cantava "é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado". Parafraseando nosso querido Nelson, a nossa música não é mais cega ao cio nacional, já que o estilo foi aderido por praticamente todos os setores da sociedade, além de alcançar sucesso internacional. Já existe até uma funkeira japonesa!

Como disse, não gosto de funk, preferia honestamente que nem existisse, ou que existindo fosse diferente. Mas ele existe e é o que é. Se fosse depender de mim e meus gostos musicais eu levantaria um busto de Vicente Celestino em Santa Teresa, faria especiais de TV com o Odair José, igual ao que fazem pro Roberto Carlos, e mais uma séria de homenagens póstumas ao Waldick Soriano, Paulo Sérgio, Antônio Marcos e Altemar Dutra, igual fizeram pro Raulzito e pra Bossa Nova. Mas quem me elegeu Rei? Se querem que o funk deixe de existir, bom, eduquem as crianças das favelas, ofereçam melhores condições de vida, permita a um pai de família ter um emprego não abusivo que o pague tão mal. Ou vocês acham que foi a música quem “corrompeu as crianças e alienou a juventude”?

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