segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Socialismo do século 21 - retórica ou abobrinha?



Meus caros, a Venezuela através de mais uma consulta popular abriu caminho para reeleições ilimitadas em favor do simpático bufão, Hugo Cháves. Combatido de forma árdua pela grande mídia, o presidente da Venezuela é um verdadeiro osso duro de roer. Sofre com campanhas negativas e é pintado como um verdadeiro diabo vermelho. Nesses dez anos, em que ocupa o palácio de Miraflores, Cháves faz questão de afirmar que seu principal inimigo é a mídia conservadora.

Mas afinal, o que é o socialismo do século 21, que modelo é esse de estado que Hugo Cháves tanto cita em sua retórica? O Lobotomia reproduz trechos de uma entrevista concedida pelo principal ideólogo do bolivarianismo ao jornal Correio Braziliense. William Izarra é um tenente-coronel reformado da força aérea da Venezuela. Foi vice-ministro de relações exteriores do país e coordenador da campanha a favor do “si”.

Há um plano de revolução bolivariana de Chávez. O que seria essa revolução?
Recorde que o processo revolucionário que começou em 1999 completa 10 anos neste mês. O que busca o processo? Mudança de estrutura, mudar o modelo de sociedade por um novo modelo, baseado em uma das novas teses político-ideológicas que se chama socialismo do século 21. O que busca o socialismo do século 21? Substituir o modo de produção capitalista e o modo de produção cultural alienante por um modo de produção socialista e um sistema cultural emancipador.

Como seria o modo de produção socialista na Venezuela?
O socialismo do século 21 é uma invenção, uma nova tese político-ideológica que está sendo construída, sustentada a princípio em alguns elementos do socialismo ideário, utópico, inclusive marxista, mas em termos concretos distintos. Sustenta-se em quatro poderes inspiradores. Um é Simon Bolívar, uma continuação do que ele iniciou há 200 anos. Cristo e seus ensinamentos baseados no bem comum — há uma grande dose de espiritualidade na interpretação ideológica. O terceiro elemento identifica as posições revolucionárias de Che Guevara, esse pensamento de esquerda contestador, anti-imperialista, contra a injustiça social. E, finalmente, outro elemento em sua etapa incipiente, o próprio Chávez, definindo mudanças nas relações de poder, a transferência da tomada de decisões da sociedade organizada, a translação revolucionária.

Nesse processo, seria muito importante a reeleição de Chávez?
Está claro que a emenda é para permitir a reeleição do presidente e dos demais cargos públicos de eleição popular, vista também como a extensão dos direitos do cidadão para decidir. A emenda toma parte da estrutura do processo revolucionário. O Estado tem que desaparecer como está concebido, todo conceito de relação de comando e obediência por meio da assimetria ou de governos e prefeituras. Porque esse é um Estado para um modelo político antagônico ao revolucionário, sustentado na democracia representativa. Ao contrário, a revolução bolivariana busca a democracia direta. Dois elementos vêm implícitos na emenda: a mudança de estrutura e a translação revolucionária, que se refere a materializar a democracia direta, transferir a tomada de decisões para a sociedade organizada. A unidade básica da democracia direta está concebida no conselho comunal, no conselho das regiões, até que cheguemos a instalar o conselho de governo de Estado, para que a presidência seja substituída por um coletivo que vai dirigir a sociedade, sustentado nas decisões das assembleias de cidadãos. Mas isso requer tempo —anos, décadas — para chegar a esse nível. Porque estamos lutando contra um sistema cultural alienante, onde ainda a concepção do socialismo está incipiente e prevalece a propaganda imperialista.

E não seria um risco para a revolução concentrar-se na figura de Chávez? Se algum dia ele faltar, o que acontece com o sistema?

O próprio Chávez surge como um líder feito pelo povo, ele não existia. Poderia ser dito que depois de Chávez não há ninguém mais. Mas claro que há. Numa situação conjuntural de esgotamento de comando ou o que for, sempre aparecerá. Como se diz nas Forças Armadas, o comando nunca morre, sempre haverá um comandante. Igualmente aqui: a liderança não morre. Agora, a liderança está com Chávez, mas numa circunstância distinta, aparece outro. Há talento, há capacidade e há experiência.

Fonte: Correio Braziliense

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