sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

We're back!

foto: Ailton de Freitas/Extra
José Sarney e Michel Temer: senhores do poder



Meus caros, duas figurinhas carimbadas e que representam mais do que ninguém, a prática da nomenclatura tupiniquim, e o que há de pior na política brasileira, voltam para ocuparem cargos chaves na administração pública. José Sarney e Michel Temer eleitos, respectivamente, presidentes do Senado e Câmara, são os mais conhecidos sanguessugas da viúva.

Sarney tem somente 33 anos de legislatura em Brasília. Há mais de quarenta anos é dono da capitania do Maranhão, onde tem um conglomerado de comunicação. O ex-presidente me lembra o folclórico personagem criado por Dias Gomes, Odorico Paraguaçu. Não larga o osso de jeito nenhum. José Sarney é a comprovação de que o poder é um vício permanente e inebriante. É a terceira vez que imortal da ABL assume as rédeas da alta câmara da república.

O Deputado Michel Temer é outro que voltou do mundo dos mortos. Tem pinta de galã e é chegado a arroubos sentimentais. Não que eu seja contra, o envolvimento de homens públicos com mulheres mais novas, mas o nobre deputado causou furor e inveja, quando em 2003 casou com a jovem Marcela Tesdeschi Araújo, a época com 20 anos de idade, um filé... Como se viu, Temer é do tipo que não dá sopa. Também pela terceira vez, volta ao comando da mais ‘respeitada’ casa legislativa do Brasil.

Essas duas figuras eminentes da república representam sem dúvida nenhuma, a continuação de uma prática que muitos julgavam ter sido enterrada no Brasil: o coronelismo. Em seus domicílios (currais) eleitorais utilizam a comunicação como principal ferramenta para manutenção das suas influências políticas. São donos de rádios, emissoras de TV e jornais. Manipulam e direcionam a informação, fazendo do jornalismo um instrumento de ação política para confortar interesses obscuros. O emérito senador quando ocupou a Presidência da República (1985/1990) distribuiu a rodo, concessões de rádio e TV para conseguir mais um ano de mandato.

O período “tucanino” ficou marcado com a distribuição de mais de 1.900 outorgas de estações retransmissoras de TV. Sarney ao lado de Temer, quando ambos ocupavam o comando do legislativo, doaram uma vasta quantidade de concessões no governo FH para aprovar à reeleição do sociólogo, uma verdadeira festa: 268 para políticos; 342 ao grupo SBT; 319 à Rede Globo; 310 à Rede Vida, ligada à Igreja Católica; 252 a Bandeirantes; 226 à Manchete; 151 à Rede Record, da Igreja Universal do Reino de Deus; e, por último, 125 às TVs educativas.

Resta saber, se a dupla dará continuidade da festa das outorgas, é bom ficar sintonizado.

O vídeo abaixo é um curta-metragem realizado por Glauber Rocha, registrando a posse José Sarney como governador do Maranhão em 1966.
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