quinta-feira, 14 de maio de 2009

Imprensa - O quarto poder que julga e condena

Meus caros, na minha última postagem disponibilizei uma cobertura sobre um seminário que discutia à liberdade de imprensa. O que me chamou mais atenção foi o depoimento do Desembargador Siro Darlan. O magistrado foi bem claro ao criticar a forma como os veículos brasileiros realizam reportagens sobre crimes e prisões de suspeitos. Não quero me apresentar como guardião da ética, mas não tenho como deixar de observar o tratamento midiático dado a suspeitos detidos em algumas operações policiais. Eu já tinha citado à disposição de Dona Gilmara Francisco dos Santos, mãe de Felipe Santos, jovem morto em operação policial na Favela da Maré no último mês de abril, em processar o Jornal Meia Hora por estampar a foto de Felipe numa matéria tendenciosa, na qual supostamente era acusado de ser traficante.


Diariamente assistimos principalmente na televisão esse tipo de reportagem. O suspeito é detido e imediatamente é exposto como uma caça, como nos tempos do “velho oeste” americano. Agora virou moda o acompanhamento de algumas equipes de reportagem em ações policiais de apreensão e prisão de suspeitos. A polícia com mandado judicial em mãos, geralmente realiza essas operações no raiar do dia, entre seis e sete horas da manhã. O detido sem advogado é então exposto de forma vexatória ao ser surpreendido e mostrado algumas vezes até de cuecas por repórteres cinematográficos.


Eu fico a pensar com meus botões: o empresário Daniel Dantas foi detido durante a operação Satiagraha. A totalidade da mídia considerou sua prisão como um ato de abuso de autoridade e desrespeito à dignidade humana. Lembro que também já criticaram uma ação da Polícia Federal durante a prisão do senhor Jader Barbalho, pelo fato da PF exibir o ilustre político de algemas. Talvez seja utopia da minha parte tentar cobrar isonomia em coberturas deste tipo, mas não posso deixar de fazer essa observação, corroborado pela critica do desembargador.Na verdade, o suspeito é julgado em primeira instância pela mídia. Então, o quarto existe e condena sem direito à apelação (direito de resposta).




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