quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Caso Zelaya revela paranóia e casuísmo da mídia brasileira

Meus caros, eu havia comentado anteriormente o golpe de estado ocorrido na República de Honduras. Fiz questão de criticar à complacência da mídia internacional em relação à derrubada do Presidente Zelaya, e também da nossa imprensa tupiniquim. Quando ocorreu o golpe, eram realizadas simultaneamente eleições no Irã. Como todos sabem, o simpático Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito, o que gerou protestos internos e da comunidade internacional. Quem é observador pôde notar que o acontecimento em Honduras foi bastante minimizado. Afinal como somos 'macaquitos' da mídia americana, nossos editores consideraram os protestos e supostas denúncias de fraude eleitoral na terra dos Aiatolás, mais importantes do que um golpe de estado contra um presidente democraticamente eleito em um pequeno país da América Latina.

De pronto, o governo brasileiro foi um dos primeiros a manifestar repúdio ao golpe em Honduras. Desde então, o presidente hondurenho vêm empreendo esforços políticos para reassumir o cargo de estado de Honduras. Fato é, que da mesma forma que a imprensa norte-americana faz, tratamos o assunto como um mero golpe de estado em uma republiqueta de bananas.

Agora isso fica bastante evidente a partir desse novo contexto da permanência de Zelaya na embaixada brasileira como asilado provisório. É louvável à atitude do governo brasileiro em prestar apoio à luta para seu retorno ao poder, mas o tom isolacionista parece estar imperando na democrática mídia brasileira, que já se posiciona abertamente com a estada do político hondurenho na embaixada do Brasil.

Algumas figuras já conhecidas por suas opiniões um tanto críticas ao governo de Lula, como Miriam Leitão e Alexandre Garcia se manifestam claramente contra o apoio brasileiro ao retorno de Zelaya. Na última quarta-feira, 23 de setembro, Miriam afirmou em um comentário na TV Globo, que o Brasil não pode se posicionar tão francamente nesse episódio. Pois isso acaba por desgastar a imagem do Brasil no exterior. Ela até citou que não foram os militares hondurenhos que derrubaram o presidente, e sim o poder judiciário de Honduras.

Esse tipo de comentário me faz refletir sobre o papel de uma mídia comprometida e casuística sobre determinados assuntos. Se o Brasil tivesse apoiado o novo governo golpista dos militares, esses mesmos formadores de opinião teriam a mesma postura crítica que têm agora? E se Lula determinasse à retirada do embaixador do Irã, quando dos movimentos de protestos naquele país, à postura seria de apoio também? Por que a política de integração do Brasil para com a América Latina e outros países emergentes incomoda tanto os senhores barões da mídia brasileira? Por que devemos encarar países como a Venezuela, Bolívia e Equador como ameaças à democracia no continente, e não Álvaro Uribe e os militares hondurenhos?




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