quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Dia Mundial Sem Carro e o machão do Pantanal

Meus caros, em uma semana marcada por ações afirmativas sobre o meio-ambiente como o “Dia Mundial Sem Carro” e o discurso de Barack Obama em realação às mudanças climáticas na Organização das Nações Unidas, a ONU, vemos aflorar mais um embate envolvendo o ministro Carlos Minc e autoridades do estado do Mato Grosso do Sul. Desta vez, o atual governador do estado, André Puccinelli foi bastante belicoso no tratamento ao militante ministro.

Segundo a Revista Época, Puccinelli teria chamado Minc de “viado” e “fumador de maconha”, durante uma reunião com empresários locais, ao criticar o projeto de zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar. O governador teria afirmado ainda que caso Minc participasse da Meia-Maratona Internacional do Pantanal, que será realizada no dia 11 de outubro, o ministro sairia da corrida como vencedor. "Porque senão eu [Puccinelli] o alcançaria e ele seria estuprado em praça pública", disse no encontro.

Creio que alguns pontos merecem ser citados dentro desse contexto de discussão sobre o meio-ambiente, todos envolvendo a cobertura da nossa querida mídia. O primeiro fica por conta dessa falta de profundidade na abordagem da realização do “Dia Mundial Sem Carro”. Em momento nenhum foi pautado um debate com as autoridades sobre como realmente definir ações para diminuir à incidência de carros nas grandes cidades brasileiras. É notório que tal medida passa pelo fim da cultura consumista que a indústria automobilística implantou no Brasil dos anos 1950, a partir do governo JK.

Será que realmente o problema fica por conta da falta consciência do proprietário do veículo que não se preocupa com o agravamento e fluidez do tráfego nas cidades. Multar, rebocar e programar fluxo, como é feito em São Paulo, vai resolver e pode ser considerada, uma política eficaz para a efetivação de um programa diminuição de gazes poluentes e melhoria da qualidade de vida? O fato é que não se vê qualquer iniciativa de nossa mídia para colocar em pauta um debate sobre qual o papel da indústria do carro nesse processo. Para alguns, como eu, isso acontece devido à grande quantidade de recursos aplicados em forma de publicidade. É notório que o mercado automobilístico é um dos sustentáculos do mercado de mídia. Jornal, televisão, rádio e internet só sobrevivem em função desse investimento. É inconcebível o mercado de comunicação se manter sem esses anunciantes. Falar disso é ‘chover no molhado’...

Outro segmento que não é chamado ao debate é o setor petrolífero. Com o advento do pré-sal parece que falar nos efeitos maléficos dos combustíveis fósseis não é bem visto hoje no Brasil. Ninguém quer perder uma verbinha da Petrobrás.

Para encerrar, quero voltar ao destempero do senhor Puccinelli. Também não vi nenhum veículo condenar o ‘machão’ governador do Mato Grosso do Sul pela grosseria cometida. Há tempos percebo que o ministro Carlos Minc é tratado de forma jocosa por grande parte dos veículos brasileiros. Esse não é o primeiro episódio. O governador Blairo Maggi e outros políticos, dos quais não me lembro os nomes, já espezinharam o ministro diversas vezes sem que suas atitudes tenham sido condenadas e desaprovadas pela dita “opinião pública”.

Enquanto isso, sou obrigado a acreditar que a culpa do aquecimento global é minha, somente minha...Abre o olho jacaré!!!

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