quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Nelson Rodrigues e a menina sem estrela - minhas observações

Meus caros, na postagem anterior abordei sobre como o Twitter está mexendo com a forma de produção jornalística. Ao tentar entender essa nova realidade, que muda o jeito de fazer jornalismo, não tive como deixar de relacionar o tema ao que pensava o iniguálavel Nelson Rodrigues.Ao ler "A menina sem estrela", uma coletânea de textos sobre suas memórias, organizadas por Rui Castro, e publicado pela Companhia das Letras, verifiquei que Nelson era um desses saudosos dos tempos românticos das antigas redações. Ele fazia parte de uma família de jornalistas (Mário Rodrigues - pai , dos irmãos Mário Filho e Roberto Rodrigues), que chegou editar um jornal nos anos 1920, A Manhã e a Crítica.

Em suas memórias Nelson Rodrigues cita sua relação de trabalho com Roberto Marinho e Samuel Wainer, e detona o modelo processual de produção jornalística, em que o copydesk era o "rei da cocada preta". Na verdade, o famoso cronista era um saudosista do chamado jornalismo literário, que foi retomado por Gay Talese na América, com a denominação de novo jornalismo.

Bom , ao ler "A menina sem estrela" associei de pronto os trabalhos de Nelson e Talese. Apesar da distância e das diferentes realidades, eles se aproximam pela forma de transpor para as paginas de jornais. uma literatura da realidade. Nelson era um ficcionista do real, contava histórias tão absurdas e ao mesmo tempo próximas do mundo comum, com um olhar acachapante dos dramas alheios. Tudo vinha de observações do cotidiano das ruas e de sua própria experiência de vida.
Já Gay Talese é mais científico e metódico na pesquisa e levantamento do que quer abordar, como em "A mulher do próximo", mas também sempre coloca seu olhar pessoal e vivência nas reportagens. Enfim, é uma relação bem interessante que descobri sobre a obra desses gênios do jornalismo. O real literário...
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