sábado, 26 de setembro de 2009

Toda unanimidade é burra

Meus caros, depois do sequestro que acabou na morte do tresloucado da Tijuca, na última sexta-feira (24/09), quando um Snipper deu cabo ao caso, confesso que fiquei bem perplexo com à repercussão e tolerância da mídia.
Provavelmente alguns vão me chamar de utópico e surrealista, mas de maneira alguma posso concordar com a anuência que estão dando para essa política de segurança do Sr. Sérgio Cabral. O que se viu nesse episódio foi mais uma demonstração de despreparo e selvageria da polícia carioca.
Não sou maluco em dizer, que vivemos em uma cidade de paz e harmonia. Isso é óbvio, não sou cego e nem idiota. O que me deixa indignado é a forma como mais uma vez à mídia repercute o assunto. Em nenhum momento se questionou o que levou a uma decisão tão rápida para a morte do seqüestrador pelo atirador da elite da PM.
O que assistimos foi uma execução sumária e inapelável. Não se ouviu um “por quê?”, de nenhum jornalista. Ao contrário, o que se viu foi uma celebração do ato de matar.Como o Capitão Nascimento, personagem do filme “Tropa de Elite”, o Snipper foi elevado a herói em uma cidade ilhada pela violência e insegurança. Acredito até que esse comportamento se dê por estarmos em um caos total e sem perspectiva de solução, em que crimes hediondos se tornam tão comuns como vulgares, mas não posso acreditar que isso possa contaminar o trabalho e discernimento de quem se propõe executar uma função social como o jornalismo.
Quando se observa uma opinião uníssona e de apoio nas entrelinhas, de uma situação como esse desfecho da Tijuca, da imprensa, é sinal de que às pessoas que trabalham com informação estão perdendo o senso crítico e à inconformidade natural que um profissional da área deve ter.
Aqui no Rio de Janeiro, assistimos quase que diariamente erros de procedimentos policias em diversas operações. São vítimas de balas perdidas, mortes por auto de resistência mal-explicadas, extorsões, envolvimento com o crime organizado e tantos outros casos, que acabam por tirar a credibilidade da instituição. Que confiança podemos ter nessa polícia quando ela não consegue desempenhar seu papel na sociedade, como braço armado do estado e de mantenedor da ordem pública? Isso sem falar no comportamento excessivamente corporativista ao negar seus erros?
Por esses motivos é que à mídia não pode engolir esse discurso, em que a prática de matar “barata” acaba por se constituir em política de segurança pública. Lendo os jornais e assistindo o noticiário, tive a sensação de estar vivendo em um país seguro e justo, onde o mal é punido de forma severa e salomônica.
Por fim, o que aconteceu na Tijuca acabou por se constituir em um ‘misancene’, fortuito que serviu para amainar o descrédito da segurança, perante a opinião pública, só isso. Em tempo de preparativos, para sediar uma Copa do Mundo e uma possível Olimpíada, coisa para inglês ver. E nessa a imprensa vai a reboque, sem nada contestar...


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