domingo, 29 de novembro de 2009

Operação Caixa de Pandora revela também um jornal de cócoras

Governador do GDF está em uma sinuca de bico

Por Letícia Alcântara:

Desde a manhã desta sexta-feira Brasília está em polvorosa. A Polícia Federal deflagrara uma operação que teria como alvo o suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM-DF), deputados distritais, secretários de seu governo e empresários.


Ao longo do dia os blogs fervilhavam de novas informações. O esquema foi se delineando após do STJ liberar o segredo de justiça. Depois das 21h, páginas do relatório já estavam na internet. As transcrições de gravações feitas com autorização da PF pelo secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, não deixavam dúvidas sobre o envolvimento do governador, pelo menos para quase todos os jornalões do país. Veja o que publicava o site Congresso em Foco às 21h05.

Durval: Arruda é chefe da organização criminosa

No ofício 077/2009, datado de 2 de novembro de 2009 e encaminhado ao ministro do STJ Fernando Gonçalves, o delegado da Polícia Federal Élzio Vicente da Silva menciona o governador José Roberto Arruda como "chefe" de "suposta organização" que "desvia recursos públicos".

Veja outras abordagens na internet:

Blog do Josias: Descoberto no DF mensalinho do governador Arruda
Fernando Rodrigues: A devastadora gravação com Arruda
Congresso em Foco: O grampo que compromete Arruda
IG: Arruda pedia dinheiro de 15 em 15 dias, diz secretário

Veja como o maior jornal do centro-oeste tratou o caso no jornal deste sábado. Vale lembrar que às 21h, de sexta, o relatório já estava nas mãos dos jornalistas, conforme comprova matéria do Congresso em Foco.



Correio Braziliense
GDF e Distrital são alvo de investigação


Agora comparem com os demais jornais nacionais:

Folha de S. Paulo
Governo do DF é acusado de corrupção

O Estado de S. Paulo
Polícia flagra 'mensalão do DEM' no governo do DF

O Globo
Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados

Reparem que o jornal evita citar o nome de Arruda no título, ainda nada nos subtítulos, nem mesmo no lead da matéria. A matéria não ocupa as páginas 2 e 3 do jornal, páginas comumente utilizadas pelo jornal para matérias de política e de denúncia. Mudaram a regra?
Bom. A matéria foi capa do caderno de cidades. Mesmo com os relatórios já disponibilizados, nada de grandes referências ao governador. O texto se atém a descrever as ações da Polícia Federal e os outros investigados. Por que o jornal não reproduziu nenhum trecho dos áudios das conversas bombásticas entre o governador e seu delator? Leia a reprodução o primeiro parágrafo da matéria.


Por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Polícia Federal desencadeou ontem uma operação que atinge o núcleo do poder da capital da República. Chamada pelos investigadores de Caixa de Pandora, a ação policial cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em casas e escritórios de 16 pessoas. A Câmara Legislativa, o Governo do Distrito Federal e o Tribunal de Contas do DF (TCDF) são os focos da apuração de supostos crimes de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Há suspeita da existência de um esquema de pagamento de propina em troca de apoio para deputados da base aliada ao governo.

Veja que o nome do governador só é citado no segundo parágrafo:

A ação se baseia em gravações obtidas por meio de escutas ambientais. O aparato foi escondido nas roupas do delegado aposentado Durval Barbosa, que até ontem era o secretário de Relações Institucionais do governo local. Segundo informações contidas no inquérito judicial, Durval gravou, em 21 de outubro deste ano, uma conversa com o (só aqui o Arruda é citado) governador José Roberto Arruda (DEM) sobre o destino de R$ 400 mil em poder do então secretário. A reportagem do Correio teve acesso ao inquérito de 780 páginas do STJ, onde constam degravações de conversas mantidas por integrantes do governo a respeito de doações de recursos.


(Correio Braziliense, 28 de novembro, página 39)


Vamos adiante. O jornal preferiu utilizar uma página inteira para descrever a longa ficha corrida do delator, Durval Barbosa. O título: O homem que fazia grampos ilegais. Ao lado uma enorme foto de Durval sendo abraçado pelo ex-governador Joaquim Roriz (PSC-DF). A legenda da foto lembra que Durval foi presidente na Codeplan no governo Roriz, quando foi condenado por improbidade.

Na página seguinte, destaque para a exoneração de cinco envolvidos no caso. Só agora Arruda é citado no lead da matéria, texto descreve ação enérgica, "logo após terem sido deflagradas as medidas judiciais", diz o texto, "o governador José Roberto Arruda afastou os integrantes do primeiro escalão do Executivo citados no suposto esquema de pagamento de propina...". Na mesma página fotos dos afastados, o chefe de gabinete, Fábio Simão, o Chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, o secretário de Educação, José Luiz Valente, e o assessor de imprensa, Omézio Pontes.


Abaixo a abordagem dos demais jornais.

Folha
Governo do DF é acusado de corrupção

Segundo a PF, secretário gravou pedido de distribuir R$ 400 mil a aliados; Arruda (DEM) nega acusaçãoA Polícia Federal realizou ontem operação contra um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM-DF).O inquérito cita que existe gravação em que Arruda solicita a seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que distribua R$ 400 mil a aliados.Arruda foi gravado pelo próprio Barbosa, que, investigado por supostos crimes relacionados a desvio de verbas públicas, passou a ser um colaborador da Justiça.A polícia cumpriu 16 mandados de busca e apreensão de documentos em Goiás e Minas Gerais, além de Brasília. O inquérito está no Superior Tribunal de Justiça.O dinheiro veio, segundo a PF, de empresas de informática contratadas pelo governo. Os policiais apreenderam R$ 700 mil, além de US$ 30 mil e 5 mil euros.

O Globo
Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados

PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), é suspeito de participar e se beneficiar de um esquema de pagamento de propina a deputados aliados. A PF fez buscas autorizadas pelo STJ em gabinetes de deputados e casas de secretários de Arruda, inclusive na residência oficial do governador – que não mora lá. Segundo o inquérito, há indícios de formação de quadrilha, peculato, corrupção, fraude de licitação e crime eleitoral. Numa gravação, Arruda oferece dinheiro ao secretário de Relações Institucionais do governo, Durval Rodrigues, que atuava como colaborador da PF e fazia escuta ambiental.


O Estado de S. Paulo
Polícia flagra 'mensalão do DEM' no governo do DF

Suposto esquema teria até mesmo participação do governador Arruda

Uma investigação da Polícia Federal flagrou no governo José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal, um suposto esquema de cobrança de propinas e distribuição do dinheiro pela base aliada, numa espécie de mensalão que envolve ao menos quatro secretários e quatro deputados distritais. O próprio Arruda aparece em documentos orientando o secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais) a "entregar R$ 400 mil a Maciel, para pagamento da base aliada" – em referência a José Geraldo Maciel, chefe da Casa Civil de Arruda.

Agora veja o que já havia sido publicado em blogs e sites na noite de sexta.

Portal IG (manchetes)

-
Arruda pedia dinheiro de 15 em 15 dias, diz secretário
-
Delator diz que governador do DF comprou haras à vista
-
Vice-governador do DF também recebeu propina, diz inquérito
-
Leia trechos do diálogo entre Arruda e Durval
-
Veja a íntegra do inquérito que deflagrou a operação


Congresso em Foco

Durval: Arruda é chefe da organização criminosa (21h05)

Ofício deixa claro que governador do Distrito Federal é um dos “investigados” na operação da Polícia Federal

O Congresso em Foco acaba de obter cópia completa do inquérito policial da Operação Caixa de Pandora. Aos poucos, o conteúdo do inquérito será divulgado pelo site. No ofício 077/2009, datado de 2 de novembro de 2009 e encaminhado ao ministro do STJ Fernando Gonçalves, o delegado da Polícia Federal Élzio Vicente da Silva menciona o governador José Roberto Arruda como “chefe” de “suposta organização” que “desvia recursos públicos”. No texto, o delegado Élzio trata ainda Arruda como "investigado".Segundo o Ministério Público Federal, os fatos narrados por Durval se referem aos crimes de “organização criminosa ou quadrilha, de peculado, de corrupção ativa, de corrupção passiva, de fraude a licitação, de crime
eleitoral”.


Será que faltou tempo ao Correio? Haverá uma foto de Arruda nas matérias de domingo? Será que o jornal citará trecho da investigação em que Durval Barbosa afirma que, em reunião, Arruda pediu para ao presidente do Correio que fossem produzidas matérias negativas contra ele? (Trecho a conferir na página 14 deste relatório disponibilizado pelo IG: http://esporte.ig.com.br/images/arquivos/pdistrito_fedinq_603_v001.pdf)
Vamos aguardar...

--
www.filhadosub.blogspot.com
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...