segunda-feira, 1 de março de 2010

A TV Globo e a cabeleira do Zezé

Meus caros, em tempos de reconhecimento das minorias na luta contra o preconceito, fico tentando compreender o que faz a TV Globo nesse processo, quando o assunto envolve à temática homossexual. Há tempos personagens gays participam de tramas nas telenovelas globais. Isso é normal e demonstra que a emissora age corretamente sem qualquer homofobia, respeitando assim o politicamente correto. Agora com essa moda de Reality Shows os homossexuais ganham visibilidade e marcam presença na telinha de uma forma bem real, vide a atual edição do Big Brother Brasil, o BBB10. Alguns participantes são discretos e outros mais afetados, comportamentos e atitudes não muitos diferentes dos heteros participantes do programa.

Mas vamos ao que interessa: existe na grade da emissora um programa humorístico exibido todos os sábados a partir das 22:30. É o Zorra Total, produção dirigida pelo veterano Maurício Shermann, diretor artístico com anos de estrada. Antigamente no rádio, e não faz muito tempo, havia muito humor no rádio, com programas de piadas e bastante humor. Como sou um cara antigo e não nego, escutei muito a Turma da Maré Mansa, que ia ao ar na Rádio Tupi e na Rádio Globo, isso lá entre os anos 1970 e 1980. Chico Anysio e Jô Soares, entre outros famosos do humor já trabalharam no programa. Naquela época sempre tinham alguns quadros em que personagens homossexuais participavam de forma bem pejorativa. Acho que o “Seu Peru”, interpretado pelo talentoso Orlando Drumond é dessa época. Enfim, a formula da Turma da Maré Mansa continua servindo de parâmetro quase 40 anos depois na telinha global. Mas o Zorra Total está conseguindo se superar quando se trata de ridicularizar o homossexualismo. Não é de hoje que faço essa observação. Creio que 70% dos quadros do programa são compostos de situações em que os personagens gays são retratados com muita galhofa e humilhação. Tem um personagem vivido pelo ator Leandro Hassum, que é um deboche escrachado e até mesmo humilhante. O rapaz vive situações em que se envergonha de afirmar sua sexualidade para a própria mãe. O personagem vive um conflito de aceitação perante a própria família, assunto que acredito ser bem delicado para alguns.

Diante disso, concluo que nossa TV Globo morde e assopra quando aborda à temática homossexual. Em novelas exibe personagens sensíveis, inteligentes, educados e resolvidos nos relacionamentos. No Big Brother Brasil abre para a diversidade de gêneros e tipos. Já no Zorra Total expõe e ridiculariza os próprios tipos que ela retrata em tela. Paradoxal, não?




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