domingo, 9 de maio de 2010

Quando os ossos fazem parte do ofício


Meus caros, dias atrás tive uma conversa com minha querida Raquel, que é repórter de uma emissora de rádio aqui no Rio de Janeiro. Ela me fez observações sobre como a cobertura diária do factual e de tragédias como do Morro do Bumba, ocorrida em Niterói, acabam por ser tornarem banais para o profissional da informação. Acredito que isso acontece da mesma forma com quem trabalhe na medicina, como os médicos e enfermeiros. Aliás tenho um amigo, o Rubinho, técnico de necrópsia, que de vez em quando me narra suas atividades na “arte” da desconstrução de um cadáver no Instituto Médico Legal. Mas voltando ao papo com Raquel, ela me citava e fazia referências sobre a questão do olhar do repórter nesses momentos dramáticos que acabam se tornando tão comuns.

Ponderei que esse “olhar” pessoal do jornalista acaba sendo reprimido e controlado pelo editor, quando este coloca em prática sua prerrogativa de Gatekeeper, ao exercer seu poder de guardião da linha editorial do veículo e colocar isso de forma direta ou subliminar nos conteúdos produzidos. Sendo assim, as percepções de quem está lá cobrindo o fato acabam sendo diluídas ou soterradas pelo barranco da objetividade jornalistica.

No fim do papo, Raquel concluiu revelando o desejo de publicar futuramente um livro com relato de suas impressões pessoais sobre situações de trabalho na apuração e cobertura de fatos jornalísticos, que ganharam destaque no noticiário. É esperar e conferir.

PS. Alguém reparou como simplesmente a tragédia do Morro do Bumba sumiu do noticiário?

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