terça-feira, 29 de junho de 2010

A Copa do mundo ofusca toda a nossa atenção “para o que interessa”

É clichê, é chato e, talvez, parte dessa “mídia-golpista-que-deseja-o-meu-mau”, mas é a única coisa que consigo pensar. Pouco me seduz as notícias sobre as eleições, as polêmicas nucleares acerca do Irã ou goleiros suspeitos de crime, mesmo que o caboclo jogue no meu time. O que me interessa é saber como será o jogo do Brasil contra a Holanda e se a Argentina do Maradona vai conseguir deter o Blitzkrieg da seleção alemã, que tá fazendo bonito. Bonito até demais. Ah, coração leviano...

Veja como tudo fica difícil: o transporte em dia de jogo fica uma desgraça. Em alguns lugares daqui do Rio, como a Praia de Copacabana e o “Alzirão” da Tijuca, ficam terrivelmente lotados, prejudicam o fluxo do trânsito em muitos quilômetros e, convenhamos, com a crise da figura paterna que o mundo vem sofrendo nos últimos vinte, trinta anos, a falta de educação de muitos compatriotas é de uma veemência e estupidez que rivaliza com os membros da sociedade europeia da idade medieval. Mas eu só quero saber é se o Elano vai se recuperar a tempo para participar de outro jogo da seleção canarinho.

Nem me falem de José Saramago. O único escritor de língua portuguesa a ganhar um Prêmio Nobel de Literatura, considerado por muitos um dos últimos indivíduos realmente relevantes, foi embora, mas acho que o Cristiano Ronaldo deve estar sendo bem mais visado do que a obra do falecido. Seja pela sua aparência, que parece contagiar muitas mulheres e alguns homens, seja pelo futebol, que não anda lá essas coisas, Ronaldo, junto de sua seleção, o bacalhau e os vinhos são a única coisa que nos remetem a cultura portuguesa. Morreu cedo demais, Saramago. Tinha que ficar aqui por pelos menos mais duas cinco copas e ir pro outro lado uns oito meses depois.

Não adianta, a vida é um grande clichê. Cada nação tem o seu, não é diferente. Deixemos para sofrer no resto do tempo, amigos brasileiros. Os moralistas que me perdoem, mas parafraseando Odair José, não nos vendam grilos. Viver, companheiros, já pesa muitos quilos.
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