terça-feira, 31 de agosto de 2010

A despedida do Jornal do Brasil - 31 de agosto de 2010





O jornalismo brasileiro perde uma página importante de sua história. Depois de quase 120 anos sai de circulação o Jornal do Brasil. O impresso carioca ao longo de décadas foi uma verdadeira referência em termos de prática jornalística. Reunidos na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, antigos e atuais jornalistas e funcionários, realizaram um ato em homenagem ao tradicional veículo. Marcos Pontes, jornalista que trabalhou 25 anos no Jornal do Brasil, na editoria de cultura, chefiando o Caderno idéias, contou sobre a resistência na época da ditadura militar e das dificuldades de arregimentar colaboradores. " No início dos anos 1970 era um problema porque pouca gente queria colaborar. Muitas pessoas estavam sendo perseguidas e não queriam escrever e colaborar. Eu procurei e recrutei estudantes. Tinha em mente reunir pessoas que pudessem mobilizar e ter voz." - disse o veterano, combatente das letras.


O JB foi inovador para o então competitivo mercado jornalístico brasileiro. Para se ter uma idéia, nos anos 1950, só no Rio de Janeiro circulavam 18 jornais. Hoje esse número fica restrito a pouco mais de sete periódicos. O jornalista Ancelmo Góis demonstrou muito orgulho ao falar do período em que trabalhou no veículo. "O Jornal do Brasil foi durante muito tempo o mais inquieto, o mais polêmico, o mais vanguardista e o mais popular jornal do país. Foi ótimo, foi uma grande história, uma belíssima história. Eu tenho muito orgulho de dizer que trabalhei no JB." – completou com emoção.

Ainda no fim dos anos 1950, O Jornal do Brasil foi precursor de uma famosa reforma gráfica que acabou por ser uma referência para todos os jornais do país. A partir da década seguinte, o veículo passou a contar com uma super equipe de jornalistas como Ferreira Gullar, Villas Boas Correia, Carlos Castelo Branco, Zuenir Ventura e Alberto Dines, entre outros.

O JB já foi um ícone para o Rio de Janeiro. No fim dos anos 1980, vendia mais de 180 mil exemplares por dia e 250 mil aos domingos. Agora seu acesso se dará somente pela internet, mediante ao pagamento de uma assinatura digital. E assim, usando a desculpa da adequação tecnológica se joga fora uma das mais importantes páginas da democracia no Brasil. Adeus JB,foi bom enquanto durou...
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