domingo, 10 de julho de 2011

Barrigada, o furo que deu errado



A “barrigada” pode até ser um termo chulo, mas é muito comum no jornalismo. Na verdade, a barrigada significa o ato de se dar uma notícia errada. Isso geralmente acontece quando a informação é mal apurada. O caso mais recente foi do jornalista Amin Kader da TV Record, que teve sua morte anunciada em uma rede social. A partir desta informação diversos sites embarcaram na notícia não confirmada, e publicaram na manhã do último dia 28 de junho a morte do jornalista. O fato embaraçoso desta história é que posteriormente Kader foi localizado realizando uma "corridinha” na praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O profissional ao ser encontrado, claro, se mostrou assustado com a notícia de sua própria morte. Casos como esse, revelam o quanto é importante fazer uso de uma premissa básica do jornalismo: apurar.

A jornalista e professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense – UFF, Sylvia Moretzsohn falou sobre o assunto em matéria postada no Radiotube:

André Lobão - Em tempos de internet e redes sociais, os jornalistas não estão se preocupando em apurar da forma correta?

Sylvia Moretzsohn - Está piorando uma situação que já existia. Isso já aconteceu, por exemplo, com o Zuenir Ventura que já teve sua morte anunciada. Esse problema da velocidade da notícia se agrava com a necessidade da urgência de quem lida com a internet. Na verdade, o problema não é da internet, e sim de quem lida com ela. Porque a internet pode ser utilizada de uma outra maneira mais proveitosa.

André Lobão - Essa questão do tempo real, da pressão na redação, o ambiente contribui para isso?

Sylvia Moretzsohn- A partir do momento que você é pressionado a publicar o quanto antes dos outros veículos, ocorre esse risco de acontecer o erro por falta de checagem. Ou seja, a coisa mal acontece e já publicam. E o pior é que às vezes não acontece. Recentemente, não faz muito tempo, tivemos o caso de um avião da empresa Pantanal que teria caído em São Paulo. A partir de uma notícia mal apurada e veiculada, na GloboNews, vários sites replicaram. A coisa se multiplicou de tal forma, que inclusive o Terra, Uol e até o Ricardo Noblat publicaram. Quer dizer, foi uma informação que ficou no ar durante pouco tempo mas que foi o suficiente para demonstrar como as coisas são feitas. Porque a partir do momento que você tem a lógica concorrencial, acontece a obrigação de se observar o que outro está fazendo, e isso no caso de internet significa estar praticamente acompanhando e reproduzindo o que os outros estão fazendo, e vice-versa. Agora, tal situação acaba por levar a um estresse, pois tudo pode ser verdade ou mentira, pode ser boato ou não ser. Os sites jornalísticos que tem essa responsabilidade da credibilidade passam a não ter mais essa confiança que deveria existir. A tendência ao tempo real sempre ocorreu no jornalismo. Essa idéia de chegar na frente existe desde o tempo em que os jornais começaram a se organizar como indústria. O que acontece é que a situação se agrava agora.

André Lobão – E como fica a ética jornalística nessa história?


Sylvia Moretzsohn - É claro, que em principio, uma das questões éticas fundamentais é o respeito à chamada “verdade dos fatos”. Você tem que confirmar, precisa ter certeza de tudo aquilo que você está noticiando. Se aquilo aconteceu mesmo, e se aconteceu daquela forma. Então, tem o velho problema da maneira pela qual o fato é divulgado, partindo do pressuposto de que à informação é verdadeira. Agora, tem várias outras questões que estão relacionadas a ética jornalística que independem da questão da velocidade, que são de outra ordem.

Confira o papo no Radiotube





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