terça-feira, 19 de julho de 2011

Protestos x repressão - Democracia em questão


Meus caros, desde os protestos ocorridos na chamada Primavera Árabe, organizados por populações de países como o Egito, Tunísia, Síria e Yemen, passando recentemente pela Espanha, o que se observa é a ocupação do espaço público por aqueles que querem se manifestar e protestar por seus direitos e contra abusos. O fato é que da mesma forma que ocorreu nesses países, grupos também se mobilizam e levantam sua voz aqui no Brasil. São os bombeiros do Rio de Janeiro que lutam por melhores condições de salário, estudantes que pedem gratuidade para o transporte público em Vitória e Curitiba, e ativistas que propõem o debate sobre a descriminalização de drogas como a maconha. Em comum esses protestos têm uma triste coincidência: a violência na repressão policial.

O Coordenador geral do Observatório de Favelas e Doutor em Sociologia, Jaílson de Souza, demonstra preocupação com a repressão aos movimentos sociais e reivindicatórios no Brasil. “O que mais me impressiona é essa incapacidade de ouvir, buscar caminhos para atender essas demandas, e isso é profundamente preocupante para a democracia brasileira. É preciso lembrar também o que está acontecendo também nos campos brasileiros. O processo de assassinatos sistemáticos de lideranças de movimentos rurais, lideranças de movimentos sociais reflete esse processo de alto grau de intolerância, de incapacidade cada vez maior de setores políticos que estão no poder, que têm o controle econômico do país, em aceitar lidar com as manifestações dos trabalhadores.” - disse Souza.

Em São Paulo, o DAR – Desentorpecendo a Razão, um coletivo antiproibicionista coloca a questão em debate. Pedro Nogueira, militante da iniciativa fala da ação policial, quando da realização da Marcha da Maconha no último dia 21 de maio, em São Paulo. “Foi deplorável, mas acabou por se tornar importante. De alguma forma isso acabou por escancarar essa brutalidade que os movimentos sociais têm enfrentado aqui no Brasil. Não importa a pauta que seja, tem bomba em cima. Em campanhas do Passe-Livre, Sem-Terra, tomando pau da polícia...Isso acaba por revelar um resquício autoritário tanto na polícia quanto na justiça. É importante lembrar que a policia militar brasileira faz um uso desproporcional de bombas de gás lacrimogêneo e armas não letais em protestos e passeata.” - denunciou Nogueira.

No Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros viveu um momento único de mobilização. Para rememorar: oficiais e praças da corporação reivindicam melhores condições de trabalho e aumento salarial há mais de dois meses. Cansados de negativas um grupo de 2 mil soldados ocupou o Quartel General no último dia três de junho. Como reação ao ato, o governo do estado enviou a tropa de choque da PM, o temido Bope – Batalhão de Operações Especiais. Depois da invasão e confronto, mais 400 bombeiros foram presos. A detenção ocorreu por seis dias. No dia 11 de junho uma decisão judicial ordenou a libertação do grupo que estava preso em um quartel-escola de Niterói. Após a liberação, o Governo do Estado ofereceu um reajuste 0,95%, que ainda não foi aprovado. Hoje, os militares do Rio têm o pior salário do Brasil.
Casos como dos bombeiros cariocas, estudantes de Vitoria e Curitiba, professores e outros movimentos e categorias, mostram como as instituições brasileiras ainda não incorporaram a cultura da democracia e da liberdade de expressão. Será que o estado brasileiro ainda não conseguiu exorcizar seus fantasmas que ainda insistem em rondar os gabinetes, em todas as esferas?

Matéria Radiotube:





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