quarta-feira, 9 de novembro de 2011

USP - Porrada, os caras não sabem de nada


O episódio envolvendo a ocupação do prédio da reitoria da USP acabou por revelar uma impaciência da chamada opinião pública com as reivindicações de coletivos, sindicatos e movimentos sociais. Há tempos é perceptível um certo maniqueísmo midiático na cobertura de protestos e ações de grupos que lutam por seus direitos, e que sejam identificados politicamente com a esquerda. Desde seu surgimento o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST é alcunhado pejorativamente de movimento marginal. Quem já assistiu a leitura de algum editorial da Band pode comprovar o que digo. Tal atitude de alguma forma serve para desacreditar e negativar uma luta histórica como a Reforma Agrária.

No campo do trabalho, mobilizações de categorias como bancários, professores, carteiros, entre outras, também sofrem com essa má vontade da imprensa. A partir dessa “desacreditação” surge o ambiente de intolerância. Recentemente ocorreu uma paralisação nas obras do estádio Maracanã para a Copa de 2014. Os operários cobravam melhores condições de trabalho e melhorias em alojamentos básicos como banheiros. A abordagem midiática fez um recorte não em cima da precariedade sofrida pelos operários, e sim no prejuízo que isso causaria a imagem do Brasil pelo atraso do cronograma de obras. Nesta questão, a relação capital/trabalho, como sempre, acabou por se tornar uma discussão secundária e sem relevância diante de um “problema maior”.


Sobre a mobilização dos estudantes da USP, o que se deve discutir não é a razão da confusão, que começou com a apreensão de três pessoas no campus por porte de uma pequena quantidade de maconha. O recorte dado pela imprensa para o fato ocorrido foi de um reducionismo espantoso. O problema principal fica por conta do abuso da autoridade policial na prisão dos suspeitos e nos seus desdobramentos. É claro que a operação de desocupação das dependências da reitoria foi uma ação desproporcional.

A questão da USP não pode ser colocada apenas como um caso rotineiro de polícia. É essencial que o debate sobre descriminalização da maconha volte a ser pautado, sem moralismos e estereotipações. Não vejo ninguém condenar ou criticar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando ele trata do assunto. E outra coisa: em nenhum lugar do mundo pode ser considerado normal qualquer tipo de procedimento policial que afronte o direito de livre expressão. Considero que o campus de qualquer universidade seja um espaço "sacrum",  e o mesmo não pode servir campo de treinamento tático militar.

Foto:gazetaonline.globo.com
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...