sábado, 28 de janeiro de 2012

Espantando baratas



Meus caros, este começo de 2012 está sendo bem agitado no que diz respeito à cobertura da mídia em relação as nossas diversas e conhecidas problemáticas sociais. A ocupação da “cracolândia” no Centro de São Paulo, no último dia três de janeiro, já dava vistas de como a temática dos mais pobres no Brasil acaba por se tornar caso de polícia. Na verdade, historicamente já está consignado que pobre neste país nasceu para levar bordoada do estado. A mídia sempre justificou essas ações policiais como ato defesa da sociedade como um todo, que como já estamos “carecas” de saber só respalda os anseios dos bacanas dos Jardins e do Leblon. A sensação que tenho nesse tipo de episódio é de que estamos apenas espantando as baratas da cozinha. De que adianta fazer isso se a mesma está mal conservada e suja?

Na continuidade do agitado mês de janeiro ocorreu a lamentável ação da tropa de choque da PM paulista na remoção dos 6 mil moradores da comunidade do Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos-SP, que foi devidamente justificada pelos jornalões do país. Teve colega dizendo que ato fez prevalecer o estado de direito e o ideal republicano. 

A lição disso tudo, sobre esse tipo de abordagem midiática, em assuntos sensíveis como direito à moradia, drogas, direitos individuais, das minorias, é de que existe uma criminalização proposital não só parte das autoridades, mas principalmente da imprensa. Não há perspectivas de promoção de um debate e não se dá voz aos excluídos. O que vale é aplaudir o batalhão de choque no trabalho de  espantar as baratas.


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