quinta-feira, 4 de julho de 2013

TV Fascio: joga na tela....


Meus caros, confesso que assisto diariamente esses malditos programas sensacionalistas que fazem apologia das instituições de segurança pública. Por assisti-los com frequência, tirei algumas conclusões sobre a mensagem subliminar incutida em seus conteúdos. Eu sei que o que vou dizer aqui, a partir desta minha constatação, irá provocar alguma polêmica mas não posso fugir disso.

Contextualizando o atual momento no Brasil de manifestações por várias cidades, e ao observar a reação do Estado, a partir do seu braço repressivo, a Polícia Militar, não podemos deixar de fazer a seguinte conexão: programas como Cidade em Alerta (Record), Brasil Urgente (Bandeirantes), entre outras produções de linha policial, fazem parte de uma forma de controle social sobre o cidadão-comum. Durante todo esse período de contestação nas ruas pude observar o discurso inicial desses programas contra o movimento. Seus comunicadores, aos berros, pediam presença da policia para mandar “chumbo” nos vagabundos e vândalos que tiravam a ordem das capitais. Um exemplo disso foi o polêmico apresentador do programa da TV Record, o agora “bem-humorado”, jornalista Marcelo Rezende.

Você vai me perguntar como isso pode acontecer. Bem, lhe dou a resposta de bate-pronto: a construção do conteúdo obedece a uma retórica de terror com a exibição de crimes hediondos, e o posterior clamor por justiça, que acabam por justificar a existência de uma polícia violenta e truculenta. Recorro e faço um link com Michel Foucalt e seu pós-estruturalismo, que tratou com propriedade das relações de poder e dominação, principalmente na obra “Vigiar e punir”.


Hoje, a tela (panótipo) se configura numa sala de monitoramento em tempo real em que cada um dos apresentadores: Marcelo Rezende, Wagner Montes e José Luiz Datena monitoram a partir de helicópteros, que sobrevoam a cidade grande, realizam uma procura pelos “inimigos” indesejados da sociedade. Inimigos esses que assaltam, violentam, traficam e matam. Esses demagogos vociferam que a cidade precisa ser controlada e limpa do mal existente, que é representado pela “bandidagem. Assim, o discurso da práxis policial vigente ganha legitimidade midiática e conquista corações e mentes inundados pela sensação de insegurança plantada a partir da TV.

Para corroborar minha análise basta um olhar mais cuidadoso nas matérias e reportagens que apresentam operações e perseguições policiais em favelas, que sempre acabam em “autos de resistência”, tão comuns, por exemplo, aqui no Rio de Janeiro. Eis aí pratica da punição.

Com isso, não tenho medo afirmar que tais produções televisivas não passam de uma estratégia de controle social. Está em curso à aplicação de um neofascismo midiático que passa a justificar ações violentas em situações de contestação contra o estado. Vimos isso recentemente nas passeatas por reformas, cobradas pelas mobilizações da “Revolução do Vinagre” no último mês de junho. Foram balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e bordoadas distribuídas com implacável eficiência.


Além do endeusamento de delegados, oficiais e brucutus bons de bala esses programas criam campanhas que propõem alterar estatutos importantes como ECA e o direito à vida. Isto se faz notar em enquetes que perguntam sobre a aplicação da lei da pena de morte e a redução da maioridade penal. Desta forma, eles almejam manipular a opinião do assustado telespectador. Logo se cria um clima para pressionar nossos preguiçosos legisladores a aprovarem uma literal “lavagem de gelo”, que reduz o problema da violência a uma questão meramente punitiva, esquecendo-se do cerne central do problema: a educação. E assim, se reforça o discurso de um estado que só se faz representar pela violência e terror, não muito diferente de algumas ditaduras. Essa é a “TV Fascio”, aquela que faz o braço da lei parecer mais forte, dizendo que bandido bom é bandido morto.
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