quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A lógica da "Cultura Corporativa" nas ondas do rádio

Ainda conservo um hábito antigo que herdei da minha mãe: ligar o rádio assim que acordo, ao invés de acessar a internet como muitos amigos já fazem há tempos. Bom, não tem jeito. Para quem vive de informação e trabalha com ela o rádio ainda é um referencial no bom dia da notícia. Acho legal que algumas emissoras, como a CBN e BandNews, dão destaque no horário da manhã  à opinião de colunistas. Faço questão de conferir os comentários do ex-cineasta, que só fala asneira, e dos "urubólogos" de plantão, Carlos Sardemberg e Miriam Leitão.

Confesso que já estou começando a achar engraçadas as colunas desses "gênios" do jornalismo brasileiro. Enfim, uma ladainha chata que a cada dia se repete na tentativa de imposição da cultura neoliberal de uma forma bem homeopática. O discurso sempre é o mesmo, criticando o setor público e fazendo apologia do mercado, como se o mesmo fosse um "Deus" salvador. Tem amigo meu que ainda acredita nisso, fazer o quê...

Mas o clichê de agora é esse papo de "Cultura Corporativa" que ganha espaço nas programações das emissoras citadas acima. Palavras-chave como "colaborador", "foco", "liderança", "planejamento", entre outras se tornaram chavões nesses comentários sempre tendenciosos a favor do capital.

A Cultura Corporativa reduz o sujeito/funcionário a um mero detalhe menos importante dentro de uma empresa, suprimindo uma relação com a cultura humanista. Quem vende essa idéia de forma explicita, e clara, é o Consultor Max Gehringer, um ex-executivo de empresas como Pepsi e Elma Chips. Esse boa pinta de  cabelos brancos , com jeito de técnico de futebol  de clube alemão, se tornou o "Papa" da tal cultura, na qual o funcionário deve ser um sujeito obediente, submisso e conformado. Gehringer, além da Globo, trabalha também escrevendo artigos para revistas do grupo Abril. Preciso dizer mais alguma coisa?Tá explicado né...

"Empresas não gostam de pessoas contestadoras e criticas. Tenha muito cuidado ao se dirigir ao seu chefe no momento de fazer uma reclamação, você pode desagradá-lo e correr o risco de perder o seu emprego" (Max Gehringer).

Nesse contexto, o rádio acabou por se tornar uma ferramenta potencial para a propagação dessa cultura oriunda do pensamento neoliberal, que tem ojeriza aos questionamentos dos empregados e sindicatos. Bebendo da fonte de Marx, acredito que essa desvalorização do trabalho como conceito é uma tentativa de reduzir as ações humanas a motivações de ordem meramente econômica. Subliminarmente se constrói a partir desse modelo de rádio opinativo uma cultura de alienação e desumanização, por conta de um sistema que dá ênfase às corporações em detrimento ao  trabalhador como cidadão. Daí vai minha pergunta: se doutrina o sujeito a não reclamar no ambiente de trabalho, pode-se cobrar desse mesmo sujeito um comportamento contestador em sociedade contra determinado governo?
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