quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cabral Tenório Mubarak Cavalcanti I - O dono do Rio


E baixou a “ditabranda” no Rio de Mubarak Cabral... Pois é meus caros, no final do protesto do dia dos professores, mostrando seu zelo pela segurança pública e em defesa do patrimônio público dos banqueiros a polícia do Rio prendeu e enquadrou na nova lei de associação ao crime organizado 186 pessoas. Só na frente ao prédio da Câmara do Vereadores 70 pessoas foram detidas e imediatamente conduzidas por agentes da Polícia Militar para delegacias aonde foram autuadas e encaminhadas para o complexo penitenciário de Bangu.

Como foi noticiado pela mídia convencional eles são acusados de integrarem o grupo Black Bloc, que na verdade não se trata de uma organização, como é erroneamente identificado pelas autoridades e imprensa, e sim uma tática de manifestação de grupos de tendência anarquista.

O ponto importante que quero abordar aqui neste texto não é propriamente uma defesa dos que estão detidos por um enquadramento inafiançável, mas sim pelos já conhecidos procedimentos operacionais de nossa “prestigiosa” PM na detenção desses manifestantes. Denúncias de abuso de autoridade e simulação de flagrantes são rotineiros desde os protestos de julho último, isso sem contar o episódio envolvendo o pedreiro morador da Favela da Rocinha, Amarildo, que até hoje está desaparecido.

Deter pessoas em flagrante delito faz parte do tramite legal de qualquer ação policial desde que este procedimento respeite os direitos humanos e a legalidade do ato ao se basear na lei, que definitivamente não é uma práxis da força auxiliar carioca.


Até o presente momento não vejo nenhuma ação de questionamento do encaminhamento dado ao episódio. Não pode também passar despercebido a capa do jornal O Globo desta quinta-feira (16/10),  estampando os rostos de alguns detidos bem ao estilo “Luta Democrática”, um popular jornal da Baixada Fluminense de propriedade do polêmico político Tenório Cavalcanti, deputado da UDN (União Democrática Nacional) que portava uma capa preta e uma metralhadora chamada “Lurdinha”. Pelo jeito, tempos  depois, o “homem da capa preta” ainda permanece vivo em algumas redações e gabinetes.


É bom lembrar que há dias atrás (02/10) foi criado um grupo  pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), por ordem da Ministra Maria do Rosário para apurar os procedimentos policiais da força de segurança do estado do Rio de Janeiro nas manifestações do professores em greve. Esse mesmo grupo deveria prontamente apurar também o que aconteceu na prisão dessas 186 pessoas da última terça-feira (15/10).

O objetivo do grupo ligado à Comissão Especial de Segurança Pública é reforçar as recomendações das resoluções 08/2012 (que recomenda a abolição do termo "auto de resistência"), 05/2013 (que dispõe sobre a regulamentação dos armamentos menos letais) e 06/2013 (sobre o estabelecimento de procedimentos para as polícias em manifestações públicas), aprovadas pelo CDDPH - Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. O que a Polícia Militar do Rio de Janeiro reluta em por em pratica como em situações ocorridas com frequência em várias manifestações desde as mobilizações de julho.


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