segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Jornalistas sofrem com violência policial em protestos no Brasil

Fotojornalista Yasuyoshi Chiba Foto: AFP  
A morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade foi um desfecho que há tempos se anuncia trágico desde o início manifestações em junho de 2013. Infelizmente, só nos resta lamentar  e prestar sentimentos e solidariedade a sua família. Mas creio que seja válido colocar em questão como todo esse processo de violência nos protestos começou. Não quero aqui defender ninguém, porém é importante relembrar alguns episódios que ocorrem em várias cidades do Brasil e, de alguma forma, é necessário separar o joio do trigo. 

Não se pode simplesmente botar no mesmo liqüidificador episódios infelizes como esse ocorrido com o profissional da Band, desqualificando o movimento de protestos iniciados no ano passado. É evidente que existe uma intenção de criminalização movimento orquestrada pela mídia tradicional e governos. Eu acompanhei como midialivrista uma série de protestos  e percebi a presença de infiltrados  e policiais à paisana estimulando confrontos contra os manifestantes. É obvio que aparecem os aproveitadores do crime organizado, playboys malucos e fascistas botinudos querendo encrenca.

Também merece atenção, o fato de uma emissora de TV ter dois profissionais mortos em situação de conflito nos últimos dois anos. Vamos relembrar o caso de Gelson Domingos morto em 2011, durante uma incursão policial em uma favela da Zona Oeste do Rio . Isso precisa ser levado em conta quando o assunto é segurança do trabalho.

Mas vamos a cronologia de agressões:

11 de junho de 2013: Pedro Ribeiro Nogueira, repórter do Portal Aprendiz, foi espancado e preso quando fazia a cobertura de um protesto do MPL – Movimento Passe Livre. Ficou preso durante 60 horas.

Piero Locatelli,  Repórter da Revista Carta Capital, espancado e preso por portar uma garrafa de vinagre.

16 de junho de 2013: O Repórter Luiz Paulo Montes, UOL é agredido pela polícia em Fortaleza.

13 de julho de 2013: O Fotógrafo Sérgio Andrade da Silva da Futura Press é atingido no olho por bala de borracha disparada pela polícia paulista.

21 de julho de 2013: O fotógrafo da Agência France-Presse, Yasuyoshi Chiba é agredido na cabeça no Rio, por um PM, durante protesto durante visita do Papa Francisco ao Palácio Guanabara no Rio


07 de setembro de 2013: O Repórter Lucas Simões é agredido por policiais em Belo Horizonte.
Repórteres fotográficos: André Coelho (O Globo), Monique Renne (Correio Braziliense), Ueslei Marcelino(Reuters), Fábio Braga (Folha Press) e Ricardo Marques (Metro) são agredidos pela PM em protesto em Brasília no Dia da Independência.

09 de setembro de 2013: A ABRAJI – Associação de Jornalismo Investigativo – denuncia 21 casos de agressão contra jornalistas no dia 07 de setembro por policiais e manifestantes.    

15 de outubro de 2013: O repórter fotográfico Yan Boechat é agredido por 13 policiais militares em São Paulo durante o Dia do Professor.


Para finalizar, a ABRAJI atualizou a lista de jornalistas agredidos de 11 de junho de 2013 até 10 de fevereiro de 2014, diado  fatídico incidente com Santiago Andrade. Até o momento são 118 casos, sendo que em  75% foram incidentes envolvendo policiais.
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