terça-feira, 8 de abril de 2014

Lula concede coletiva a blogueiros

Foto:Ricardo Stuckert - Instituto Lula
Em entrevista concedida para um grupo de blogueiros, transmitida ao vivo pela internet, na sede do Instituto Lula em São Bernardo do Campo/SP, o Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou por mais de três horas, ao fazer análises sobre diversos temas e assuntos.

De início, ao responder a primeira pergunta, ele se declarou contra a criação de uma lei antiterrorismo e considerou que os protestos iniciados em junho de 2013 foram legítimos, mas afirmou que o estado brasileiro deve dar garantia de segurança para as delegações, público e autoridades durante a Copa do Mundo.

Sobre a campanha presidencial deste ano, Lula considera que Eduardo Campos está guinando seu discurso para à direita, e lamentou que o governador de Pernambuco tenha se precipitado ao lançar sua candidatura à Presidência da República. Ainda no contexto politico atual, o ex-presidente criticou a tentativa de politização do caso da compra refinaria de Pasadena e disse que o governo deve partir para ofensiva para defender a Petrobras. “A Petrobras é muito importante para o Brasil, compare o o valor de empresa dela em 2002 - 15 bilhões de dólares -  e o de agora – $250 bilhões - (...) não podemos cair nesse discurso” , criticando o uso politico-eleitoral da companhia.

Uma pergunta envolvendo o Deputado Federal do PT, André Vargas, vice-presidente da Câmara, que é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal também foi respondida. “Espero que ele consiga convencer a sociedade e explicar que não tem nada além de uma viagem de avião, porque, no final, quem paga o pato é o PT. Torço que não seja nada além de uma viagem, o que já é um erro”, disse Lula.

Na seqüência, o líder do Partido dos Trabalhadores afirmou que o partido pagou um preço caro pela falta de mobilização popular no caso do “Mensalão”. “Ficaram esperando somente a solução jurídica...A esquerda sempre foi condescendente com a direita, ao contrário da própria direita que está sempre querendo encurralar a esquerda”, afirmou o ex-presidente.


Lula voltou a comentar sobre a reforma politica e disse que o sistema de representação precisa ser mudado para mudar a forma de se fazer politica no Brasil. “ O Congresso é o retrato da sociedade no dia da eleição, não podemos negar isso, alguma coisa precisa ser feita. “A reforma política é a mais importante reforma que tem que acontecer neste país, sem ela todas as outras ficam muito mais difíceis”.”, analisou.

O tema saúde também fez parte da coletiva. Lula afirmou que o fim da CPMF retirou mais de 50 bilhões por ano do orçamento do ministério, e citou que um dos motivos foi a sonegação fiscal. “Acabaram com a CPMF para evitar a maior fiscalização do governo na sonegação de impostos. Cito que ainda que alguns governadores não cumprem a Emenda 29, que obriga os estados a investirem 12% do seu orçamento na pasta. A classe média paga o plano de saúde, mas deduz no imposto de renda”, criticou, pedindo mais recursos para a área.

Sobre a educação, o ex-presidente disse que o país está muito atrasado neste quesito e que os royalties do pré-sal foram criados para reverter essa situação. Lula lembrou que o Brasil criou sua primeira universidade nos anos de 1930, fazendo uma análise histórica. “Em 11 anos fizemos mais do que no século XX em termos de educação, infelizmente ainda estamos atrasados”, reconheceu.


O líder petista ainda criticou o clima de pessimismo criado pela mídia brasileira ao se referir a situação econômica do Brasil. “ A economia brasileira é vista de forma positiva no exterior, é a imprensa que distorce a real imagem da economia aqui dentro do país, ainda se incute o complexo de vira-latas, dizendo que tudo aqui está ruim” - criticou

Por fim, o ex-presidente considerou que é necessária um marco para a regulação da mídia e citou o Marco Civil da internet. Nós vamos ter que retomar com muita força essa história da regulação dos meios de comunicação”, disse. O ex-presidente também ressaltou a aprovação do Marco Civil da Internet. “Há 50 meses atrás nenhum de vocês acreditava que nós aprovaríamos Marco Civil”. Ainda, segundo Lula, foi preciso aparecer um Edward Snowden, pivô dos escândalos que abalaram a comunidade de espionagem americana, para que avançasse a aprovação do Marco Civil. 
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