quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um déjà vu

Arte:Daniel Grzeszkiewicz
Parece que estamos tendo um "revival" dos anos 1930. Uma regressão perigosa que incute a cultura da morte e do ódio. Aos poucos está sendo diluído o fascismo nos corações e mentes do médio brasileiro. A mídia opera isso em doses homeopáticas ao pregar a guerra contra os fracos. Está na hora da mídia parar de legitimar ação de violência policial com esse papo de que o "sujeito" tinha antecedentes criminais. De alguma forma, isso fica bem claro no Rio de Janeiro, onde as Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs passam por um grande desgaste, e registram uma série de protestos dos moradores das favelas ocupadas por conta de denúncias de violência policial.

Digo isso no contexto da comoção da morte de um morador do Morro Pavão-Pavãozinho. Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, conhecido como DG, que era dançarino de funk, morto durante uma ação policial no morro localizado em Copacabana, Zona Sul do Rio.

Acredito que o Secretário de Segurança do estado do Rio, José Maria Beltrame, não tem coragem de dizer que a Polícia Militar do RJ é uma instituição que está fora de controle. Que a mesma está sendo usada para fins políticos e se mostra incapaz de integrar uma ação de pacificação em favelas. Seu quadro não recebe o mínimo de formação sociológica. Seus homens e mulheres são somente preparados para situação de controle social pela força e violência. A segurança pública é a vertente mais clara da falência de um modelo ultrapassado adotado pelo estado brasileiro que sempre tratou demandas sociais como caso de polícia.


Nós como brasileiros não temos que ter vergonha ou ficar preocupados com que os estrangeiros vão pensar do Brasil sobre essas explosões de revolta nas favelas cariocas às vésperas da Copa. Na verdade precisamos parar com essa mania de escamotear as nossas mazelas, e a violência policial é uma delas. Confesso que estou pouco me lixando paras as matérias do Wall Street Journal, The Economist, Forbes e o restante da mídia internacional que estão botando o “rei nu”.


O que a mídia de lá faz é mostrar a verdade, coisa que a daqui se recusa a fazer, preferindo criminalizar questões mal resolvidas como nossa exclusão social. É importante dizer que esse comportamento da imprensa brasileira acaba por reforçar esse discurso fascista que parece ressuscitar, principalmente, nas redes sociais.
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