domingo, 11 de maio de 2014

O Gato preto passou...



Vão dizer que o Nei não entende de orçamento, mas ele expressou um sentimento bem realista sobre o que temos hoje no Brasil. Sim, o futebol é parte integrante da nossa cultura, mas não podemos fechar os olhos para o que acontece todos os dias em nossas cidades. Precisamos ter autocrítica e reconhecer nossas mazelas. Eu sei que não podemos misturar as estações, que o dinheiro já estava reservado e por aí nas argumentações de amigos defensores da política de governo. Mas não podemos fechar os olhos para as nossas mazelas. Não adianta querer ignorar o óbvio, o estado brasileiro vive uma crise de representatividade com um sistema político falido, fisiológico e oligárquico . As reformas travam e não acontecem por acordos e conluios que atuam no poder como um câncer em situação atual de metástase, ocorrendo no judiciário, legislativo e executivo. Todo o processo de organização da Copa revelou isso, e agora sendo confirmado com situação da Rio 2016 que teve que sofrer uma intervenção do COI. 

Padrão FIFA é desejo de um estado justo e que funcione minimamente no atendimento básico nas áreas de saúde, transporte, segurança e educação. Não se deve isentar ninguém pelo atual estado de coisas e nenhum partido político. Todos, sem exceção, legitimaram um sistema viciado e corrupto. Sim, vivemos uma democracia, porém ela precisa ter representatividade e não ser lembrada só no momento de eleições. Ela deve ser construída nas ruas e na contestação das ações que ferem o interesse coletivo como remoções injustas, superfaturamentos, negligência nas questões sociais e na exigência de respeito aos direitos humanos por parte da segurança pública. Sim, queremos um país sem pobreza. Precisamos ser uma sociedade na sua plenitude e não esperar por concessões e favores do estado. 


A história do Brasil tradicionalmente é construída por acordos políticos e sem qualquer ruptura, salvo a Revolução Farroupilha no Século XIX, ocorrida no Rio Grande do Sul. Nossas ruas nunca tiveram seus gritos e clamores atendidos pelo poder. Nossa independência foi uma grande acordo; a República foi um acordo oligárquico; a Abolição foi um acordo; o Estado Novo foi um acordo; a posse de Jango foi um acordo; 1964 foi um grande acordo; a Anistia foi um acordo, a Rredemocraticação foi um acordo; Tancredo Neves um acordo; a posse de Sarney foi um acordo; Collor foi um acordo e por fim, FHC e Lula foi uma concessão das raposas políticas e midiáticas. Sim Nei, você está certo, o gato preto passou na estrada.
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