segunda-feira, 21 de julho de 2014

A esquerda não tem dono!

Celebre foto dos antigos líderes comunistas Leonid Brejnev (URSS) e Erick Honecker (RDA)

É triste notar que esquerda governista se omite em encampar a luta contra a criminalização de ativistas e movimentos sociais. Notas lacônicas e certo desprezo pelos que sofrem a perseguição política da máquina do estado revelam total falta de compreensão sobre o que vem acontecendo no Brasil, desde junho passado. Só fazem reduzir a discussão à ação da tática Black Bloc.

Lembro que antes da Copa teve um renomado sociólogo da esquerda  governista que se referiu aos  ativistas do MTST como “vira-latas”, após um protesto contra a Copa em São Paulo. Todo esse processo revela total falta de critério dos entes públicos na separação do joio do trigo. É óbvio que negar a ocorrência de atos de vandalismos não cabe neste momento, eles de fato aconteceram. Porém, eu já vi integrantes do MST invadirem o Congresso Nacional e depredarem vidraças. Foram criminalizados? Não. Fato é que ocorreram todos os tipos de infiltrações nos protestos contra a Copa. De policiais, de fascistas e coxinhas, entre outros. A tática do estado foi mais eficaz que a Black Bloc. Provocações e depredações em protestos contaram em grande parte com a participação de agentes do estado. Negar isso é o mesmo que dizer que não houve vandalismo.


Sim, em determinados momentos alguns se deixaram levar no calor dos protestos e midiatização de personagens e como a Sininho e outros menos conhecidos, que se deixaram glamourizar pela grande mídia. Ainda teve o triste episódio da morte do Repórter Cinematográfico Santiago Andrade, morto pelo morteiro sem intencionalidade de quem o colocou lá.

Na verdade, o partido de esquerda que está no poder em Brasília perdeu o monopólio dos movimentos sociais. Seus quadros não apresentam renovação e a sua presença entre os grupos de base e contestação do sistema está reduzida a coletivos de cultura e comunicação que são bastante contestados, como o Mídia Ninja e o Fora do Eixo. Sindicatos e UNE não mobilizam mais a juventude brasileira. O MST parece viver na conformidade e acomodação.

De alguma forma, isso aconteceu nos anos 1960 quando lideranças de esquerda como Luis Carlos Prestes, ficaram presas ao fantasma do stalinismo. Negando e desprezando uma nova realidade da esquerda em tempos de é proibido proibir.


Infelizmente, essa desmobilização voluntária da esquerda governista pode gerar um preço muito alto no futuro para os movimentos sociais. O risco de abrir uma faixa e participar de alguma reunião política contra qualquer governo ou sistema pode acabar em prisão, pelo menos aqui no Rio de Janeiro.
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