sábado, 20 de setembro de 2014

Agendamentos e bananas: A mídia na inversão de sentidos e valores



Em momento eleitoral e em meio ao clássico maniqueísmo comunicacional paro para refletir sobre os temas e discussões de momento no Brasil. O primeiro, sem dúvida, envolve a eleição presidencial e trata da construção e desconstrução de imagens e sentidos.  Diante de uma verdadeira demonização a candidata do PT, Dilma Roussef, ainda lidera pesquisas eleitorais. Acho o fato interessante, pois a mídia brasileira diariamente bombardeia o Partido dos Trabalhadores e o governo com denúncias de corrupção e martela que o país vive um caos econômico. Não quero aqui me alongar sobre essas denúncias, mas é óbvio que todas merecem investigação. Ninguém aqui é Poliana para acreditar que no PT só tem santo, mas enfim vida que segue e que a Polícia Federal e a Justiça cumpram seu papel.

Bom, a questão que quero abordar é como esse discurso antigoverno e anti-PT não atingiu corações e mentes por completo, a ponto da Dilma liderar pesquisas eleitorais. Todos sabem que a Presidenta não tem nenhum carisma e se demonstra muito apagada em debates, mas ainda sim é favorita nas preferências. O fato é que essa situação merece uma análise mais aprofundada sobre a influência da mídia em um processo eleitoral tão importante como esse. Seja qual for o resultado do processo eleitoral, o papel da mídia tradicional merece uma pesquisa. A Teoria da Agenda Setting formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw serve de referência para esse aprofundamento.

Outro ponto, a ser abordado aqui, envolve o incidente envolvendo o jogador de futebol Aranha, o goleiro do Santos, que recebeu insultos racistas por parte da torcida do Grêmio Portalegrense. Após a identificação de uma torcedora que foi flagrada em imagens de TV, chamado o jogador de “macaco”, o caso ganhou uma inversão de sentidos. Sim, porque a partir do momento em que Patrícia Moreira foi denunciada, e chorou em frente às câmeras, seu ato racista foi naturalizado e sua situação se tornou um drama de folhetim. O goleiro que não aceitou um encontro para formalizar um pedido de desculpas com sinceridade e emoção como nas novelas Globais vira o vilão da vez. Aranha tem agora para si a construção de uma imagem pública do sujeito sectário que não aceita o dialogo. Um cara “insensível” que não se comove com um choro de mulher, mas que é sensível a insultos “normais” e tão “comuns” em um estádio de futebol no Brasil. E olha que tem gente dizendo que somos todos macacos pelo fato de comermos banana.

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