domingo, 21 de junho de 2015

A briga invisível do capitalismo brasileiro

Entender o que se passa na crise política brasileira atual vai muita além de achar que é mais um embate ideológico como o de 1964. Na verdade vivemos uma batalha entre oligarquias burguesas. De um lado, o velho capitalismo brasileiro oligárquico representado pelas empreiteiras e os velhos sugadores do estado . De outro, o surgimento de uma nova burguesia doutrinada no exterior a partir dos desígnios do neoliberalismo de Harvard, Chicago e Londres. É preciso compreender que ao longo dos governos Lula e Dilma nunca de fato foi implantada uma política de enfrentamento ao capital,  defesa do trabalho e de quebra de oligopólios. A chamada inclusão da classe "C" foi mais uma jogada de interesse do capital para expansão do consumo. Isso estava bem claro na 'Carta ao Povo Brasileiro', um documento de intenções criado para um "apreensivo" mercado financeiro que temia em 2002, a vitória de um governo de esquerda.

Para quem tem memória vale lembrar que esse embate das burguesias brasileiras ocorre pela primeira vez durante o governo Collor, depois de uma vitória apoiada pelo capitalismo brasileiro e oligarquias. Mas em dois anos, o  homem que ia matar o tigre da inflação com um tiro só se viu isolado e cercado pelas forças que o apoiavam (FIESP, CNI e grande mídia). Conclusão: impeachment

Hoje, depois de 23 anos, a cisão burguesa se repete com todo o movimento orquestrado a partir da 'Operação Lava Jato' para sujar as mãos de Lula e Dilma. A grande realidade é que o PT preferiu escolher um desses lados burgueses, ao invés de impor de fato um projeto de desenvolvimento real e sustentável focado nos trabalhadores. Fato é que preferiu alimentar o monstro levando adiante apenas o projeto de permanência do poder, sendo financiado às custas das alianças com o PMDB, com o cheque das empreiteiras. Os registros de doações de campanha estão aí para comprovar isso.


Mas e essa outra burguesia, quem é ela e qual é o projeto dela para o Brasil? Bom, já dá para perceber que ela empreende seu discurso via grande mídia e que defende a total abertura da economia brasileira para empresas estrangeiras. A Petrobras é um exemplo disso quando tem sua "caixa preta" aberta pelo Juiz Moro. Esse é o capitalismo global, que não aceita regulações e regulamentações que também suga o estado ao obter financiamento públicos, renúncias fiscais e incentivos. Essa mesma burguesia que representa esse capitalismo global quer agora ser protagonista e mediadora do processo. Não  é mais aceitável os velhos operadores como Cunha, Renan e o conjunto das raposas felpudas do PMDB.

Quanto ao PT resta apenas a lembrança de um sonho que foi jogado fora pela vaidade do poder. Infelizmente, o Partido dos Trabalhadores acabou por lançar a esquerda na encruzilhada da amargura. A partir de uma retórica que nunca aplicou na pratica, Lula e companhia construiram e exacerbaram um discurso que deu um resultado inverso, culminando para uma surreal luta de classes às avessas. Isso mesmo, aqui no Brasil a classe média alta brasileira assumiu seu horror aos pobres e as políticas sociais sempre defendidas pela esquerda como direitos humanos, educação pública e saúde pública. O PT só era esquerda em campanha eleitoral. Mas aí alguns vão indagar: e os programas de inclusão como o 'Bolsa Família'? Sim, são importantes, mas foram preconizados pelo 'Consenso de Washington'. Ou seja, uma concessão do capitalismo para expandir o consumo e nos fazer crer que isso funciona como inclusão social.

O resultado dessa história é que a direita brasileira se dividiu e briga entre si, mas quem vai pagar esse ônus é a esquerda pelos erros e alianças do PT, que por sua vez nunca fez de fato um governo de esquerda. Os mentores do  lulismo acharam que tinham domínio da situação, mas a "porção mágica" da governabilidade foi descoberta. 

Agora, Dilma tenta agregar essas burguesias a partir de um projeto com um viés notadamente neoliberal, no qual entregou a gerência do governo para um "Chicago Boy", o Ministro da Fazendo Joaquim Levy. O problema é quem nem Levy será capaz  de ofuscar os estragos promovidos pelos tucanos da 'Operação Lava Jato' e conter essa briga invisível do capitalismo brasileiro. No final, o trabalhador é um mero detalhe na guerra dos burgueses.
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