domingo, 12 de julho de 2015

A praça e o samba pertencem ao povo!


Eu fico muito feliz quando surgem iniciativas que levam a cultura popular para as praças das nossas cidades. É uma oportunidade de nossos artistas divulgarem seus trabalhos e, claro, reforçar a resistência dessa produção que preserva nossa cultura tão marginalizada. Em todos os cantos do Brasil são diversos coletivos que trabalham para isso, e colocam o povo e artistas no espaço público.

Aqui no Rio, esse movimento tem crescido bastante e ocupa espaços importantes na grande metrópole dominada pelo “Deus Capital”. Um desses espaços é a Praça da Bandeira, uma área que recentemente recebeu uma grande reforma por parte da municipalidade carioca. Pois é, essa região que une os extremos da Cidade Maravilhosa (norte e sul), recebe quinzenalmente o Projeto “Bandeira do Samba”, uma iniciativa apadrinhada pelo sambista mineiro radicado no Rio, Toninho Geraes.

Bom, no último dia 11 de julho tive a oportunidade de comparecer e conhecer essa inciativa que considero muito importante, afinal não é todo dia que você pode curtir um samba de raiz nas praças cariocas. Espaço reformado por conta da construção de um “piscinão” para conter as eternas cheias da Praça da Bandeira. A princípio tudo legal, a galera curte o samba e segue bebendo sua cerveja. Seja levando seu isopor, hábito que a cada dia se torna usual, ou comprando nas barracas instaladas na praça.

Porém, em determinado momento, o nosso talentoso sambista das “Geraes” fez uso do microfone para fazer o seguinte comunicado aos presentes: “aviso aos que estão aqui no samba, que considero “putaria” (isso mesmo) quem traz cerveja no isopor aqui para a praça. Afinal temos despesas aqui com o som e banheiros químicos. Essa despesa é bancada pela venda de cervejas e alimentos aqui na praça, pois a Prefeitura do Rio só nos ajuda na cessão do espaço”.


Confesso, que esse primeiro comunicado me fez disparar uma reflexão sobre essa questão do espaço público. E ao ouvir o tal declaração percebi que eu não era o único cidadão incomodado com a fala agressiva e desrespeitosa do sambista. Até porque eu estava de posse de um isopor com cervejas em companhia de amigos e seus familiares, assim como muitos presentes naquele local e momento. O fato é que no transcorrer do evento, o nosso Toninho Geraes fez mais uma vez uso do microfone em falas agressivas, durante os intervalos do samba, que por sinal estava muito bom!

E aí, passadas três declarações, solicitei ao nosso “MC” o microfone. Durante mais uma fala agressiva do mesmo, contra aqueles que faziam uso do seu direto usufruir da sua liberdade de compra e uso de espaço, pedi a palavra e retruquei suas declarações indicando seu equívoco e registrando meu protesto pelo preço da cerveja vendida no local pelos colaboradores do evento: R$6,00 lata de 355ml, com o preço da garrafa de água mineral de 300ml sendo vendido a R$5,00, pasmem!
Não aceitando meus argumentos, o Sr. Toninho Geraes tentou desclassificar minha fala e indicou que não mais participaria da realização do “Bandeira do Samba”,dizendo que eu não representava a maioria das pessoas que estavam ali. Tomou uma vaia...

Diante desse fato, e da situação ocorrida, quero expressar aqui minha decepção com o talentoso artista, e quero dizer o seguinte: caro Toninho, é inegável o seu trabalho em prol da preservação da nossa cultura popular, no caso específico do samba. Mas é inaceitável que você queira lotear um espaço público como a Praça da Bandeira. Você hoje teve um comportamento extremamente infeliz ao se dirigir aos presentes naquele momento de uma forma que considero bastante agressiva.

Hoje vivemos em um país dividido em opiniões extremas e radicais. Vemos a cada dia crescer o discurso da exclusão. Eu como outros presentes vou continuar levando meu isopor para o “Bandeira do Samba”, sabe porquê? Porque caro Toninho, meu nível de renda está ficando defasado, meu dinheiro perde o poder de compra por causa da inflação. Não é só eu que considero um absurdo, a organização do evento cobrar um preço pela água tão aviltante como esse de R$5,00.

Caro amigo, eu vi você furar até fila do banheiro. Por isso, peço sua reflexão e veja a realidade que estamos vivendo hoje no Brasil. Não é com arrogância que você vai ajudar a preservar o samba. Seja mais respeitoso com seu público e considere o mundo e a comunidade a sua volta. Somos um Rio em que todos fazem parte, mesmo com isopores.
Para encerrar, o “Bandeira do Samba” é uma inciativa maravilhosa, mas acho que ele não vai acabar pelo fato das pessoas não consumirem em barracas dos seus colaboradores. Ele vai continuar porque as pessoas querem ocupar seu espaço de direito. A praça é do povo! Lembre-se disso, meu caro.


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