domingo, 26 de julho de 2015

Capitalismo e anticapitalismo: entender e como resistir


Em um momento de tantas transformações nas cidades com as sucessivas crises de representação eis que se reconfigura o embate entre o capital e trabalho. As relações se tencionam a partir dos ditames aplicados do neoliberalismo como: flexibilização de direitos trabalhistas, precarização, terceirização, gentrificação, entre outros fenômenos que pintam um novo quadro nessa relação entre as forças opostas.

Como sempre, o capital rapidamente se ajusta  e coloca em prática suas estratégias, fazendo do estado seu “capataz” ao engendrar a ordem social e urbana, de formas para lá de coercitivas que são impostas quando são aplicadas, por exemplo, políticas de higienização social a partir de remoções de grandes contingentes urbanos como bairros e favelas, e também com seu braço opressor através da política de segurança pública que tem no medo seu principal normatizador.

Sob o pretexto inicial de uma inserção econômica em meio a uma globalização que tem como principal característica o surgimento de uma nova economia, com uma base estruturada no setor de serviços e nas plataformas das tecnologias da informação e comunicação – TIC, a tentativa de construção desse contexto se faz com essas transformações urbanas e econômicas.

A economia é apenas um método para conquistar corações e mentes. Precisamos criar um novo modelo de sociedade.” A frase é de autoria de Margareth Thatcher, ex-primeira ministra do Reino Unido que ficou conhecida como a “Dama de Ferro” na Inglaterra, por ter sido uma tenaz aplicadora do receituário neoliberal nos anos 1980. E ela pode ser aplicada perfeitamente no atual contexto.

No momento temos uma “recolonização cultural” que tem na mídia sua principal executora com a implementação do conceito de individualização do sujeito e desmobilização coletiva. Sindicatos, associações e coletivos sofrem um forte processo de desacreditação.

Os chamados serviços básicos oferecidos e garantidos pelo estado como educação, saúde e segurança sofrem um crescente sucateamento, o que faz emergir o senso comum da incapacidade do próprio estado em gerir esses serviços, possibilitando assim um movimento de concessão para o mercado operá-los através da privatização.

Assim se consolida uma cultura neoliberal, que se apropria do estado através de parcerias em grandes obras de infraestrutura; operação de serviços (privatização) e financiamentos aos seus administradores públicos e representantes (políticos) em campanhas para cargos eletivos no executivo e legislativo.


Diante desse novo contexto, qual a leitura deve ser feita desse novo capitalismo, e quais as novas formas de resistências devem ser avaliadas e aplicadas para evitar a consolidação de um consenso de aceitação dessa realidade que se apresenta? Como se manter e resistir diante dessa sociedade fragmentada e “dopada” com um excesso de informação e entretenimento que “amorfina” o debate das contradições que surgem na cidade?
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