sábado, 22 de agosto de 2015

Adeus Lenin, uma analogia com o Brasil de hoje





E se o filme 'Adeus Lenin' tivesse como cenário o momento atual no Brasil? Imagine uma mãe, militante do PT, sofrendo um enfarte no dia em que Dilma Roussef foi eleita pela primeira vez Presidenta do Brasil em 2010. Imagine essa mesma mãe sobreviver, mas ficar em coma durante os quatro anos seguintes e acordar agora em 2015, no segundo governo de Dilma.

Assim como no filme, o seu filho Alexander cortaria um dobrado para evitar que sua querida mãe em recuperação tivesse um novo impacto emocional ao descobrir a nova realidade neoliberal de mais um governo do PT. A nossa mamãe petista certamente ficaria abalada e perplexa com a nomeação de Joaquim Levy para comandar a economia e da ruralista Kátia Abreu para o ministério da agricultura; sucateamento da Petrobras; aumento do prazo pra o requerimento do seguro-desemprego; mudança na concessão de pensão por morte; o não pagamento da antecipação do 13º dos aposentados; o não pagamento do PIS; a criminalização de protestos com aprovação da legislação antiterror; aprovação da redução da maioridade penal para 16 anos; verificar ainda que a reforma agrária continua apenas na promessa; o movimento em favor do impeachment contra a Presidenta Dilma; a prisão de José Dirceu; o “ilibado” Eduardo Cunha presidindo a Câmara dos Deputados; o ex-presidente FHC se apresentando como um exemplo de moralidade política; o ex-presidente Lula sendo contestado e alvo de denúncias; a não regulação da mídia, entre tantas situações inimagináveis que pudessem ocorrer em um governo do Partido dos Trabalhadores, considerado de centro-esquerda, eleito há cinco anos.

Enfim, essa analogia do drama da Sra. Kerner, o personagem que é a mãe de Alexander no filme 'Adeus Lenin' é perfeitamente cabível para a realidade de hoje. O atual contexto brasileiro é um tanto paradoxal quando observarmos um governo que na campanha passada assumiu o compromisso de aprofundar seu papel de aglutinador na implantação de políticas públicas identificadas com a esquerda, e, logo adiante, esse mesmo governo adota na prática o discurso que era apresentado pela oposição, que tinha no neoliberalismo uma receita para administrar o país.

Infelizmente, o próprio PT faz com que sua militância insista em negar essa realidade, da mesma forma que o jovem Alexander que criou um mundo inexistente para não chocar sua mãe enferma. Negar a realidade é brincar com sonhos e utopias. É muito triste ver o que se passa com os amigos petistas que defendem de forma constrangida um governo que nega o seu ideário político. Está mais do que claro que este governo e seus líderes políticos escolheram o caminho contrário aos ideais que sempre foram defendidos pela base do PT. Que acordem para a realidade.
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