quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A triste sina do Pedro Pedreiro


Sim, vivemos tempos difíceis. Não bastasse toda essa crise econômica, de confiança e moral, agora temos que lidar com fascismo nosso de cada dia. De início era na televisão com os programas policiais vaticinando a máxima do ‘bandido bom é bandido morto”, depois adentra no mundo da internet com a exacerbação do binarismo político entre petistas e antipetistas no final de 2014.  Recentemente uma onda de ataques racistas desferidos contra atrizes negras revela o quanto esse fascismo seduz jovens. A triste realidade é que a sociedade brasileira incorpora aos poucos comportamentos que incutem subalternização, silenciamento e nadificação do outro, como bem disse uma usuária da “facelândia”, Daniela Lima.

Com a explosão desses comportamentos agressivos, que observamos acontecer no cotidiano nas suas variadas formas -  racismo, misoginia, homofobia, violência policial... – no mundo virtual e real, me lembrei do prefácio ‘Anti-Édipo: uma introdução à vida não-fascista’ que Michel Focault fez para o livro o ‘Anti Édipo’ de Gilles Deleuze e Félix Guattari, no qual o filósofo francês, pesquisador das mais variadas formas de poder fala sobre o fantasma do fascismo como inimigo maior a ser vencido. Focault no texto afirma que o fascismo está presente sempre assombrando nossos espíritos que nos faz amar o poder, e desejar aquilo que nos domina e explora.

Acho que o consumo retrata bem essa relação dominação que nos oprime a partir da cultura neoliberal em que devemos pensar e individualizar como empresas que competem entre si, eliminando e descartando aquele que seja fraco ou inadequado ao sistema. A vida hoje é “coisificada”, em função do que se pode ter para ser. Nos mercados da fé rezamos para obter e ostentar coisas.E assim perdemos a sensibilidade para entender o que é diferente e de interagir com o outro. Se é que um dia tivemos essa capacidade...

Da mesma maneira que aconteceu com Chico Buarque, muitos de nós sofremos com a intolerância de pensamento e de não-aceitação das diferenças. Pois é, até você Chico. Confesso que outro dia um amigo me xingou por sua causa em uma mesa bar porque defendi sua obra e opinião sobre como construir uma sociedade melhor. E olha que não sou mais simpatizante do PT por achar que seu governo representa essa cultura “neoliberal coisificante” incutida diariamente na sociedade. Por 12 anos brasileiros tiveram acesso às coisas, mas não foram chamados ao debate sobre sustentabilidade e a refletir sobre o consumo. O resultado está aí, com antigos fantasmas sendo ressuscitados, saindo literalmente do armário com camisas da seleção brasileira.

Triste sina do Pedro Pedreiro que sempre espera o trem, é tratado como '"coisa" e ainda sofre com o fascismo nosso de cada dia.  


   

  
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