terça-feira, 22 de março de 2016

2013, o ano em que a serpente botou o ovo

A verdade é que o golpe começou durante os protestos de 2013. Naquele momento durante a Copa das Confederações FIFA parte da população foi às ruas cobrar mais qualidade nos serviços públicos, e isso assustou a elite. O pacto da governabilidade costurado junto à burguesia acabou ali quando foi observado que o PT não tinha controle sobre aqueles jovens do Movimento do Passe Livre que mobilizaram multidões a partir de maio nos protestos iniciais em São Paulo.

A base popular do partido, que incluía centrais sindicais, sindicatos e movimento social, ficou inerte naquele momento, vendo uma nova esquerda emergir nos protestos. Isso assustou a elite brasileira que imediatamente lançou, através da mídia tradicional, uma ação em que nos empurrou a pauta do combate à corrupção. Naquele 19 de junho, em Fortaleza, era realizado o jogo entre Brasil x México pela Copa das Confederações FIFA – 2013. Antes do jogo ocorreram tumultos entre manifestantes e policiais, e então dentro do estádio do Castelão a TV Globo começa a fechar suas câmeras em closes de faixas contra a corrupção. Ali começou a ser mudada a pauta das manifestações. Dali em diante ocorreu uma série de enfrentamentos nas ruas em que a mídia sempre criminalizava os movimentos de esquerda e demonizou os ‘Black blocs’.


Tonto e sem saber o que fazer o governo, através da Presidenta Dilma, chegou a propor convocação de uma assembleia nacional constituinte, ideia que foi logo deixada de lado por sugestão da base aliada no congresso, comandada pelo PMDB do então “amigo” Michel Temer.

Visto que o PT não tinha mais controle na base social, e que isso representava uma ameaça aos interesses do capital, essas mesmas oligarquias que apoiavam o governo Dilma através do PMDB, mídia, empresariado (FIESP), altos escalões do judiciário e Polícia Federal começaram já em 2013 a chocar ovo do golpe.


É bem factível que o primeiro movimento nesse sentido aconteceu no Rio de Janeiro com a perseguição política aos 23 participantes dos protestos das jornadas de junho. Sim, naquele momento começou o processo de judicialização política aos moldes da Operação Lava Jato. Assim, no então universo de Sergio Cabral, através de sua secretaria de segurança, junto com o poder judiciário, usando de subterfúgios investigativos e judiciais, foi dada a primeira lição de como se usa a justiça para fins políticos. Por pressão da mídia, representante fiel da oligarquia carioca, era exigida uma punição exemplar aos “arruaceiros” de junho. Em pouco tempo eles foram execrados e condenados sob a fantasiosa cortina de uma lei que é interpretada a favor de interesses ocultos para manipular processos e criminalizar quem está fora do jogo do poder, como exatamente acontece agora.
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