terça-feira, 3 de maio de 2016

Estudantes debatem possível cenário com Temer


Imagem Agência Petroleira de Notícias - APN
Por André Lobão
Agência Petroleira de Notícias - APN

A Faculdade Nacional de Direito da UFRJ recebeu um ato em protesto contra o atual momento político brasileiro. O evento intitulado ‘Aula Pública – o que temos a temer?’ debateu os possíveis cenários de um eventual governo do vice presidente Michel Temer. Após aprovação do processo de abertura de impeachment  de Dilma Roussef na Câmara dos Deputados, no último dia 17 de abril, o movimento estudantil universitário representado pela União Nacional dos Estudantes – UNE, intensifica a resistência contra o golpe.

“Ainda existe uma elite em nosso país que não se conforma com a perda dos seus privilégios. Isso acontece a partir da existência de um novo perfil nas universidades surgido com a aplicação de políticas de inclusão como cotas raciais, Enem e o Sisu, que deixaram a universidade mais popular, e isso fez despertar um incomodo nessas elites. É preciso considerar que esse golpe foi iniciado logo após as eleições presidenciais de 2014, com a oposição não aceitando a derrota nas urnas. Então, o resultado da votação do impeachment de Dilma na Câmara representa bem isso, uma tentativa de golpe. Pois quando o impedimento não apresenta nenhum crime de responsabilidade contra a presidenta é nada mais que um golpe. Daí as universidades brasileiras precisam se organizar e se tornarem foco de resistência.” – disse Graziele Monteiro, diretora da UNE.

Um dos temas abordados no encontro foi sobre o papel da mídia na construção da narrativa golpista. Mas afinal qual o papel da grande imprensa do Brasil no processo?

“Os editoriais de todos os grandes jornais como o Globo, Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo, entre outros defendem o impeachment. Cada vez mais existem menos veículos e isso gera concentração de conteúdos, nesta semana o Jornal do Comércio no Rio de Janeiro fechou suas portas, assim como o Jornal do Brasil não circula mais. Isso mostra que a informação no Brasil fica concentrada nas mãos de poucos. Não há diversidade de opiniões e isso facilita esse discurso único, com a formulação de uma narrativa única que defende interesses de mercado apenas. Então, neste momento, defendem o programa do Temer que trata da autonomia do Banco Central , fim de programas sociais, flexibilizar CLT e predominância do negociado sobre o legislado. Enfim, todas as pautas que são a agenda comum do neoliberalismo que estão sempre nos editorais desse veículos de comunicação, e o impeachment é mais um meio para implementar essa agenda” -  analisa o Prof. da UFF Theófilo  Rodrigues, que também participou da aula pública, e integrante do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.


E a reboque desse cenário ainda existe a onda conservadora que tomou conta do Congresso Nacional, que implementa retrocessos nos direitos da mulheres como, por exemplo, o projeto de lei que dificulta a realiza do aborto legal e do Estatuto da Família, ambos de autoria do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

“Uma das coisas mais significativas e simbólicas, que também acaba sendo estrutural nesse golpe, é a questão do patriarcado fortalecido e desse enfrentamento machista a pessoa da Dilma enquanto mulher. Por isso, quando os deputados votam pela família e bons costumes, eles estão reivindicando o mesmo do Estatuto da Família heteronormativa, em que a Dilma não se encaixa na visão deles por ela ser solteira, pelo fato dela ser uma mulher que não segue os padrões de fragilidade. Essa atitude de patriarcado revela uma nova atitude do capitalismo em se organizar no Brasil. Então, essas estratégias se tornam realidade com o conservadorismo reinante em nosso parlamento, e portanto dessa forma colocam assim em pratica suas ideias ” – concluiu uma das palestrantes, Priscila Borges do Movimento Marcha Mundial das Mulheres.




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