sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ocupações em escolas: estudantes resistem por educação



As ocupações de escolas estaduais no Rio de Janeiro já chegam a mais de 70 instituições no estado. O movimento dos estudantes da rede estadual de ensino reivindica melhorias na gestão da educação no estado. O tradicional Instituto de Ensino Superior de Educação do Estado do Rio de Janeiro, o ISERJ, localizado no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio, também foi ocupado. Diante da precarização do ensino no estado e na própria instituição, que também sofre com a má conservação, o jeito foi optar pela ação direta. Já que o poder público trata a educação com desleixo. Assim, um coletivo integrado por alunos, professores e pais resolveu botar literalmente a “mão na massa”.

“Estamos mostrando que não queremos o máximo, mas sim o mínimo. Não queremos salas com ar condicionado, notebook de última geração, computador de graça e professor ganhando 50 mil Reais. Nós queremos comida, limpeza, higiene e educação. É só o mínimo” - disse Juan Cataldo, aluno do ISERJ.

Em greve há três meses, e denunciando a situação por conta da má gestão no Estado do Rio de Janeiro, os professores se juntam aos alunos nesta ocupação.

“Observar os maus tratos aos quais a educação tem sido submetida ao longo dos tempos no Rio de Janeiro, e no Brasil de um modo geral, quase nos impõem social e moralmente a tomarmos uma atitude. Aqui o apoio quase que integral os professores do ensino médio, apoiamos esses meninos e vemos com bons olhos esse ato liderado por eles, pressionando as instâncias superiores do Estado a terem mais atenção. Aqui no ISERJ existem alimentos fora do prazo de validade, alunos do turno da noite sem refeição. Enfim, uma série de situações que levaram a esse movimento de ocupação, que é absolutamente legitima e valida como instrumento de pressão política” - explica o Professor de Filosofia do instituto, César Cipriano.


A situação é tão alarmante e pode ser evidenciada quando os integrantes da ocupação encontram alimentos deterioradores e com prazo de vencimento expirado, além de identificar problemas de estrutura e manutenção na parte elétrica e na piscina da instituição.

“Fizemos rondas nos prédios da escola para identificar problemas que pudéssemos consertar. Encontramos focos de mosquito em pontos que tinham água parada; a bomba da piscina não tinha nenhuma proteção, qualquer podia mexer e fios desencapados. Também encontramos 90 quilos de feijão fora do prazo de validade, carne estragada; bebidas lácteas também com validade vencida, que iam ser distribuídas para os alunos; frutas e alimentos deteriorados como melancias, laranjas, banana e cebola, entre outros. Além de vários problemas hidráulicos nos banheiros” - denuncia a aluna do ISERJ, Ana Paula.

As ocupações nas escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro mostram sim que é possível juntar pais, alunos e professores em prol de um objetivo comum: educação pública e de qualidade.

“É um momento ímpar para a sociedade e para essa nova geração. É preciso entender que o Estado se encontra omisso e quer produzir uma educação de caixinha. Uma educação que não faça com que a criança e o adolescente evoluam e produzam positivamente. Então estar na ocupação é mostrar uma nova realidade, tanto na prática, quanto na teoria. Na prática para os alunos, pois assim ele lidam com essa realidade, e na teoria mostra ao Estado que sim é possível termos uma escola organização e com gestão. Basta ter boa vontade para fazer isso, coisa que hoje não existe” - analisa Andrea Figueira, mãe de um aluno participante da ocupação.

Em ocupações como do ISERJ os estudantes cuidam da manutenção que incluem serviços de limpeza, cozinha e segurança, além da organização de oficinas e cursos preparatórios para o Enem e promoção de cinedebates estimulados por voluntários solidários ao movimento.

É o conceito de auto organização sendo colocado na práxis através das ocupações. Fica assim demonstrado que é possível reorganizar uma escola por quem a integre e faz de verdade: a sua comunidade.


Reportagem em vídeo

Fonte: APN e TV Petroleira
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