sexta-feira, 29 de julho de 2016

Junho de 2013: debater e entender o "furacão" das ruas



O Sindipetro-RJ  nesta quarta -feira, 27 de julho, realizou um cine debate com a exibição do filme " O que Resta de Junho".

Uma produção de autoria de Vladimir Santafé, Carlos Leal e Diego Filipe que aborda os protestos de Junho de 2013 com uma leitura sobre suas  causas e consequências. 'O que resta de junho' é um documentário de cunho ensaístico que  problematiza as chamadas ‘Jornadas de Junho’ (o conjunto de mobilizações e manifestações que ocorreram no Brasil a partir de junho de 2013), buscando refletir sobre seu significado, os múltiplos segmentos sociais envolvidos e a ampla gama de significações políticos sociais que dali surgiram.

“Fomos buscar as origens desses movimentos mais um pouco dos  resquícios que se num primeiro olhar, quando você contrasta a amplitude daquelas mobilizações, com uma situação mais calma, você acaba por achar que aquilo tudo que passou sumiu, mas se lançarmos um olhar mais atento vamos perceber que ainda existem os resquícios de junho. São desequilíbrios,  novas formas de mobilizações que em geral acontecem em nível microssocial de segmentos da sociedade, de classe e  associações estudantis, por exemplo. Nós fomos atrás disso para tentar representar  e explicar isso tudo que aconteceu” – disse Carlos Leal, roteirista e entrevistador da película.

A produção conta com depoimentos de cientistas políticos, integrantes de movimentos sociais, sindicalistas, entre outros que expressa em suas visões sobre o movimento que sacudiu o Brasil.

"É um filme que capta os atores sociais e segmentos que participaram ativamente das ‘jornadas de junho’, como os garis, os indígenas da Aldeia Maracanã, os presos políticos, sindicatos que foram processados, além de seus restos e vestígios atuais como os estudantes das escolas ocupadas, os professores em greve, entre outras situações do momento. Enfim, junho foi um movimento multitudinário, heterogêneo" – explica o Idealizador e diretor do filme Vladimir Santafé.

Além da utilização de vasto material de arquivo produzido por inúmeros coletivos de midiativismo durante as manifestações (em especial pelo coletivo "Linhas de Fuga"), são utilizadas entrevistas de arquivo e novas sobre as Jornadas de Junho.

Além disso, a película suscita debates importantes como a fragmentação da esquerda brasileira e saída da direita do armário.
“Junho, de certa forma, suscitou esse debate. Esse movimento gera uma evidência a partir de uma provocação das ruas. Uma provocação no sentido de acordar à  sociedade para demandas que eram legitimas, mas que estavam de alguma forma sepultadas por interesses da própria mídia ou por imposição do próprio capital. E tudo isso foi para as ruas naquelas mobilizações” – analisa o Coordenador do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II, Alexandre Samis.

A comunicação e a disputa das narrativas também são colocadas em pauta quando se debate as jornadas de junho, como comenta a atual presidente do Sindicatos dos Jornalistas do Rio de Janeiro, Paula Máiran.

"O povo viu e sentiu na pele o que foi a disputa de narrativa em torno do que aconteceu em 2013, e no que vem acontecendo desde então. As pessoas compreenderam o que estava acontecendo nas ruas, mas via outra coisa escrita ou falada no noticiário do famigerado oligopólio da mídia, através de um modelo de comunicação que não é voltado para o bem comum" - observou.

Após a exibição do filme foi realizado um debate que com a presença de epresentantes dos sindicatos que apoiaram o filme como o Sindiscope e o Sindipetro-RJ.

“O Sindipetro-RJ na sua linha de atuação sempre ajuda e apoia várias produções culturais como esse tipo de documentário, que tem um interesse de debater questões nacionais importantes como a cultura e política. Por isso, apoiamos na produção e a posterior realização de um evento como esse, o cine debate, que nos ajuda a entender melhor o que foram aqueles protestos, que de alguma forma, transformaram o Brasil.” – explica Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ.


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