domingo, 21 de agosto de 2016

Não existe capitalismo nos grandes eventos, concorrência nem pensar...

Eventos de grande porte como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos são uma celebração do esporte, mas, sobretudo, do próprio capitalismo, obviamente. O fato é que compreendendo a lógica do jogo observamos algumas contradições quando frequentamos esses eventos in loco, como aqui no Rio de Janeiro. Essas contradições ocorrem em específico quando no próprio evento revela de que só existe competição entre os atletas, ao contrário do que ocorre a partir das áreas de venda no oferecimento de produtos e serviços ao público que fica ávido para consumir nas arenas.

Essa contradição aparece claramente na prática de preço abusivo de produtos como água (500 ml) e cerveja (473 ml), por exemplo, que custam respectivamente R$ 8 e R$ 13,00. Com o detalhe de ser ofertadas somente uma marca de cada – Crystal (Coca-Cola) e Skol (Ambev). Eis a competitividade do mercado, fala sério.

Ainda, no debate, sobre como funcionam os grandes eventos, em termos de liberdade de mercado e operação de serviços, cito a experiência que passei ao fazer um pagamento eletrônico. No Estádio Olímpico do Engenhão tentei comprar uma cerveja e outra garrafa de água, tentando fazer uso do meu cartão da bandeira Mastercard. Ao ver meu cartão a atendente me informou que o serviço só aceitava os cartões da bandeira Visa. Novamente, eis a competitividade do mercado.

A privatização do espaço público

Para quem não tem possibilidade de ir às arenas para assistir as disputas fica a opção do chamado Boulevard Olímpico, uma área da Zona Portuária do Rio de Janeiro que foi totalmente reurbanizada e que pretende revitalizar a região. Aliás um projeto que contou com grande aporte do FGTS, dinheiro do trabalhador, ou seja, público, que é operado por um consórcio (Porto Maravilha) de empresas.

Pois é, neste espaço construído com dinheiro público, o cidadão que por ali passa se vê obrigado a consumir os mesmos produtos e serviços oferecidos nas arenas olímpicas, pagando os mesmos preços abusivos, e podendo somente usar uma bandeira de cartão de débito ou crédito.

Sobre essa situação, eu gostaria que me esclarecessem se o espaço do Boulevard Olímpico foi também arrendado pelo comitê organizador dos jogos da Rio 2016. Porque se não foi há uma clara situação monopolização de produtos e serviços, impedindo a livre inciativa do mercado em um espaço público. Uma tremenda contradição.

Agora, se existe um contrato para essa exclusividade na área, seria justo que o mesmo fosse apresentado para dar transparência aos jogos.
Enfim, tais fatos aqui narrados e citados revelam um modelo de negócio que não remete ao exercício da livre e inciativa e competição de mercado.


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